Editorial Embora os números apontem redução expressiva nos casos de latrocínio no Grande ABC – menor índice desde 2001 – a sensação de insegurança permanece entre os moradores. Tal contradição pode ser explicada por diversos fatores. Um deles é a persistência de crimes violentos de grande repercussão, como o recente ataque em Santo André que deixou uma vítima tetraplégica. Ainda que estatisticamente raros, episódios como esse ganham grande destaque na imprensa e nas redes sociais, o que amplia o temor coletivo. Além disso, a diferença entre os dados gerais e a experiência cotidiana ds cidadãos – que lidam com furtos, assaltos e ameaças – reforça a percepção de que a violência está presente.
Outro aspecto a considerar é a forma como o medo se constrói socialmente. A insegurança não se restringe aos números de homicídios ou latrocínios; ela está associada à falta de visibilidade de ações preventivas, à precariedade dos espaços urbanos e à ausência de comunicação eficaz entre as autoridades e a população. A percepção de abandono em determinados bairros, aliada ao sentimento de impunidade e à falta de acolhimento às vítimas, contribui para a desconfiança. Mesmo com o avanço do monitoramento e do policiamento ostensivo, muitos moradores não sentem essas melhorias em seu cotidiano, o que aprofunda o distanciamento entre dados oficiais e realidade vivida.
Diante desse cenário, é necessário ir além das estatísticas. Políticas públicas devem combinar repressão qualificada com prevenção territorializada. Investimentos em iluminação pública, ocupação de áreas ociosas com projetos sociais, fortalecimento das guardas municipais e ampliação de canais de diálogo com os moradores podem criar um ambiente mais seguro. Além disso, a transparência das ações policiais, a escuta ativa das comunidades e a produção de campanhas educativas que contextualizem os dados podem ajudar a reduzir o medo. A segurança não é apenas ausência de crime, mas também presença do Estado, organização urbana e vínculos de confiança entre poder público e sociedade.
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