Obituário Com passagens pela Folha de São Bernardo, Prefeitura e pelo Diário, ele se destacou por reportagens interpretativas, sensibilidade espiritual e forte vínculo com a cidade onde nasceu
FOTO: Reprodução/Facebook

Morreu na última semana Antonio Catelani, jornalista que marcou a história da imprensa em São Bernardo, aos 82 anos. Com passagens pela Folha de São Bernardo, Prefeitura e pelo Diário, o “repórter andarilho” se destacou por reportagens interpretativas, sensibilidade espiritual e forte vínculo com a cidade onde nasceu e viveu. Ele partiu no último dia 23, mas a informação só foi divulgada nesta segunda-feira (30).
O repórter andarilho
O jornalista Antonio Catelani construiu carreira profissional em várias frentes. Criou seu próprio semanário, na década de 1960, numa experiência que não prosperou; foi o principal repórter da finada Folha de São Bernardo; trabalhou como redator da Assessoria de Imprensa e Relações Públicas da Prefeitura de São Bernardo por um quarto de século e ali se aposentou. E teve passagem pelo Diário fazendo o que mais gostava: reportagens especiais, em linguagem interpretativa, abordando assuntos gerais relacionados à região e enveredando por temas que extrapolavam o Grande ABC, entre os quais os ligados à espiritualidade, ele que estudava o Kardecismo.
Na Prefeitura de São Bernardo formou no primeiro quadro de jornalistas do “Notícias do Município”, órgão oficial criado pelo advogado André Avelino Coelho, então secretário municipal de Governo na administração do prefeito Geraldo Faria Rodrigues.
A década de 1970 principiava e um problema atormentava a cidade e região: a falta d’água. Catelani produziu uma série de reportagens sobre o tema, fazendo experiências com galões de água numa tentativa de demonstrar o que se consumia por família e o que poderia ser consumido até que o problema fosse resolvido.
Em 1979 São Bernardo criou um prêmio jornalístico com o objetivo de divulgar a cidade. Seriam duas categorias: regional e nacional. O prêmio local foi conquistado pelo Diário; o Nacional pelo Diário Popular. E neste prêmio Catelani contribuiu diretamente para que o extinto “Dipo” fosse o premiado, vencendo a poderosa Sucursal ABC do Estadão e os correspondentes da Folha e Jornal do Brasil na região.
Humilde, sereno, estudioso, Antonio Catelani podia ser visto, ultimamente, percorrendo as ruas da sua São Bernardo. Andar, fazer exercícios, foi um costume que herdou dos antigos imigrantes da velha Vila de São Bernardo, dentre os quais os Catelan ou Catelani, seus ancestrais, das primeiras levas de imigrantes do Núcleo Colonial criado em 1877.
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