Mais gestão,menos polarização Embarcar para Harvard foi uma escolha movida por um objetivo claro: aprofundar meus conhecimentos em gestão pública e Parcerias Público-Privadas (PPPs). No entanto, o que vivi e aprendi superou qualquer expectativa. Voltei ao Brasil com a bagagem repleta de ideias, conexões e um novo senso de propósito.
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Fundada em 1636, Harvard é muito mais que uma universidade: é uma referência global em excelência acadêmica e liderança em políticas públicas. Com um fundo patrimonial de 50 bilhões de dólares, ela abriga mais de 22 mil estudantes — sendo cerca de 27% internacionais, vindos de 146 países. É uma instituição moldada por mentes brilhantes: oito presidentes americanos e mais de 150 ganhadores do Prêmio Nobel passaram por lá. Nesse ambiente diverso e desafiador, encontrei um espaço onde o debate é profundo e as soluções são construídas a partir de experiências reais de gestores públicos de todo o mundo.
Durante o programa, mergulhei no universo das PPPs — analisando casos de sucesso (e também de fracasso) nas áreas de saúde, mobilidade urbana, saneamento e infraestrutura. Estudamos como diferentes países estruturam seus modelos para prestar melhores serviços públicos com recursos limitados. Os debates nos mostraram que os desafios enfrentados por países tão distintos, como Brasil, Índia, Quênia e Canadá, muitas vezes são incrivelmente parecidos — mas as respostas a eles variam conforme o contexto, a governança e a capacidade de planejamento.
O maior aprendizado talvez tenha sido entender que inovação em gestão pública não é apenas sobre tecnologia ou modelos financeiros sofisticados. É, antes de tudo, sobre pessoas. Vi gestores de diferentes nacionalidades pensando soluções que colocam o cidadão no centro das políticas públicas. Essa mentalidade me inspirou profundamente. Planejar para as pessoas, e não apenas para cumprir contratos, é o que diferencia uma política pública tecnocrática de uma política verdadeiramente transformadora.
Mesmo longe, o pensamento estava aqui. A cada aula, a cada caso discutido, me perguntava: “Como aplicar isso nas nossas cidades?” Voltei com a convicção de que é possível fazer mais com menos, desde que haja planejamento, transparência e vontade política. E que a gestão pública brasileira pode — e deve — ser mais eficiente, humana e moderna.
Mais do que ferramentas técnicas, trago comigo valores. A importância do pertencimento: sentir-se parte do processo de transformação é essencial. Aprendi que fazer pontes é sempre mais produtivo do que erguer muros. Que a diversidade de ideias fortalece decisões. E que a gestão pública, quando bem feita, muda vidas.
Sou profundamente grato pela oportunidade de ter vivido essa experiência. Harvard ampliou meus horizontes, reafirmou meus propósitos e renovou minha energia. Voltei ao Brasil com o compromisso renovado de contribuir para um setor público mais eficaz, transparente e comprometido com as pessoas.
Mais do que uma experiência acadêmica, foi uma vivência transformadora. Que venham os próximos desafios — com mais gestão, mais pontes e menos polarização.
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