Cordão girassol Com custo de R$ 27 milhões, primeiro passo do programa é identificar as pessoas com TEA
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

O Grande ABC deve utilizar R$ 27 milhões das emendas encaminhadas pelo deputado federal Alex Manente (Cidadania) para disponibilizar a 50 mil autistas que moram na região cordão girassol equipado com um cartão contendo os dados digitalizados de cada um deles. Trata-se de projeto pioneiro que pode se espalhar pelo Brasil. O acessório ajudará a identificar a pessoa com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e garantirá seu atendimento prioritário em rede de acolhimento e assistência que será construída nas sete cidades.
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“Dialoguei com os sete prefeitos e agora começo a avançar para a segunda etapa, que é com o empenho do recurso”, revelou Alex. O aporte do deputado federal na região foi feito atendendo a apelo da campanha Nossa Saúde Mental, lançada pelo Diário em 13 de abril para ampliar a retaguarda no Grande ABC a quem sofre de transtornos ou doenças psicológicas. O dinheiro a ser utilizado no programa sai do Orçamento da União e deve estar nos cofres das Prefeituras até o fim do ano. Alex estima que dentro de um ano todos os autistas da região já tenham o seu respectivo cartão girassol. Embora o acessório seja destinado apenas a quem tenha TEA, o acolhimento também se estende à família, especialmente à mãe atípica. O deputado federal disse acreditar que, depois que todos os autistas das sete cidades estiverem identificados, com informações sobre o nível do transtorno (de 1 a 3, sendo este último o que exige o suporte mais substancial) e também suas necessidades, os municípios poderão direcionar investimentos em políticas públicas capazes de preencher lacunas existentes. “Vai-se criando rede de apoio”, discorreu Alex. O parlamentar, todavia, ressaltou a importância da identificação do público-alvo. “Antes de iniciar qualquer tratamento, é muito importante o conhecimento, o acolhimento e o acompanhamento dessa família atípica para poder fazer essa avaliação social e, a partir daí, iniciar o tratamento da saúde mental da família.” Nos últimos dois meses, Alex conversou com os sete prefeitos da região sobre a importância de os recursos liberados pela União por meio de suas emendas sejam encaminhados a projetos voltados à saúde mental, já que o dinheiro não chega carimbado para esta finalidade. “Pedi a cada um para que se empenhem neste projeto piloto que pode ser modelo para o Brasil.” Segundo o deputado federal, todos os prefeitos foram favoráveis à implementação do projeto. Além do cordão girassol, as emendas de Alex poderão ajudar a custear também reforma ou construção de equipamentos da rede – inclusive o tão esperado Complexo da Saúde Mental do Grande ABC. Em Santo André e São Bernardo, por exemplo, a verba revitalizará os Cras (Centros de Referência de Assistência Social). LEIA MAIS: Região recebeu R$ 94 mi em emendas de deputados federais
O projeto piloto a ser implantado no Grande ABC, que acopla ao cordão girassol um cartão com todos os dados do autista, pode ajudar a combater golpes contra o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Segundo o deputado federal Alex Manente (Cidadania), o acessório possui um sistema antifraude. “O cartão vai estar integrado ao sistema de dados do Brasil e vai permitir ser um controle antifraude do que mais vem crescendo, que é o laudo de autista”, explica o parlamentar. Estima-se que a Previdência pague R$ 2,5 bilhões anuais em BPCs (Benefícios de Prestação Continuada) obtidos por meio de documentação falsa. Segundo Alex, só profissionais habilitados para assinar laudos de TEA (Transtorno do Espectro Autista), via registro no CRM (Conselho Regional de Medicina) poderão autenticar o cartão que acompanhará o cordão girassol. “Acreditamos que, com esse programa, o Grande ABC pode dar um exemplo para o Brasil. Primeiro por atender a família atípica e, depois, otimizar o recurso que gastamos mal com as fraudes cada vez mais conhecidas no INSS”, finaliza Alex. “É bom cuidar dos autistas. Depois da pandemia, isso é mais necessário ainda do que antes” - Maria Nazaré Rodrigues Duarte, 59 anos, diarista, Santo André. “Investir na pessoa autista é um ato de inclusão. Ganha toda a sociedade, não só o portador do espectro” - Edna Pereira, 57 anos, professora universitária, Santo André. “Tratar permite intervenção precoce, o que melhora a qualidade de vida do indivíduo” - Jean Santin, 45 anos, pedagogo, São Paulo.
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