Tesouro Nacional Apesar da alta, o endividamento segue dentro das projeções do governo
FOTO: Agência Brasil

A DPF (Dívida Pública Federal) voltou a crescer em maio e atingiu R$ 7,67 trilhões, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Tesouro Nacional. O valor representa uma alta de 0,71% em relação a abril, quando o estoque somava R$ 7,617 trilhões. A elevação foi puxada, principalmente, pela apropriação de juros — efeito da Selic elevada, atualmente em 15% ao ano.
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Apesar da alta, o endividamento segue dentro das projeções do governo. O PAF (Plano Anual de Financiamento) prevê que a dívida termine 2025 entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões.
A maior parte da dívida continua concentrada no mercado interno. A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) cresceu 0,7%, passando de R$ 7,31 trilhões para R$ 7,361 trilhões. Mesmo com resgates líquidos de R$ 25,03 bilhões em maio — ou seja, mais títulos vencendo do que sendo emitidos — o valor subiu devido à incorporação de R$ 75,86 bilhões em juros.
Já a dívida externa (DPFe), atrelada principalmente à variação cambial, teve alta de 0,99% e passou de R$ 306,13 bilhões para R$ 309,17 bilhões, impulsionada pela valorização de quase 1% do dólar no mês.
Com vencimentos expressivos de títulos atrelados à inflação, o perfil da dívida pública sofreu alterações em maio. A participação desses papéis caiu de 28,46% para 26,64%, dentro da meta do PAF, que projeta encerrar o ano com uma fatia entre 24% e 28%.
Em compensação, a presença de papéis prefixados cresceu de 20,23% para 21,1%. Esses títulos oferecem previsibilidade ao governo, mas são menos atrativos em cenários de instabilidade, quando os investidores demandam prêmios maiores.
Os títulos vinculados à Selic continuam sendo maioria e passaram de 47,3% para 48,25% — também dentro da meta do Tesouro para o fim do ano (entre 48% e 52%).
Já o peso da dívida atrelada ao câmbio — incluindo a externa e papéis antigos indexados ao dólar — se manteve estável, passando de 4,01% para 4,02%, dentro do intervalo previsto de 3% a 7%.
O prazo médio da DPF subiu de 4,17 para 4,20 anos, sinalizando maior confiança do mercado na capacidade do governo de honrar seus compromissos no médio e longo prazo.
O chamado “colchão da dívida” — reserva financeira usada para rolagem de títulos em momentos críticos — caiu de R$ 904 bilhões para R$ 861 bilhões, após os elevados resgates líquidos registrados em maio. A reserva cobre atualmente 8,77 meses de vencimentos da dívida. Nos próximos 12 meses, vencem R$ 1,229 trilhão em títulos federais.
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As instituições financeiras continuam sendo os principais credores da dívida interna, com 30,1% de participação. Fundos de pensão (23,6%) e fundos de investimento (22,4%) vêm na sequência. A fatia de investidores estrangeiros, que havia recuado nos últimos meses, voltou a crescer, passando de 9,7% em abril para 9,9% em maio. Apesar da instabilidade global, esse grupo se mantém ativo no mercado brasileiro. Em novembro de 2023, a participação dos não residentes chegou a 11,2%, maior nível desde 2018. A dívida pública é o principal instrumento do governo para captar recursos no mercado. Em troca, o governo se compromete a devolver o valor com correções que seguem critérios como a Selic, a inflação, o câmbio ou um rendimento prefixado.Quem detém a dívida
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