Espetáculo coletivo Waldorf Pomar vai reverenciar neste sábado dona Anésia, 84 anos, mestra ceramista que desde 2004 ensina a arte em Paranapiacaba
FOTO: Divulgação

A Escola Waldorf Pomar, em Ribeirão Pires, realiza neste sábado a 18ª edição de sua tradicional festa junina, a partir das 15h, com destaque para o espetáculo coletivo das 18h30 em homenagem à dona Anésia Maria de Jesus, griô, mestra das artes manuais.
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Griô é um termo de origem africana que designa os guardiões da sabedoria transmitida de geração em geração. E dona Anésia, que alcança com garra seus 84 anos, é isso: guardiã de práticas que resistem ao tempo, com as mãos fincadas no barro. Mãe, avó e bisavó de uma extensa e talentosa linhagem, Anésia chegou a Paranapiacaba nos anos 1960, vinda de Lagarto, em Sergipe, acompanhada pelo marido Zacarias. Trocou a brisa quente do interior nordestino pela neblina úmida do vilarejo histórico ferroviário. Mãe de Lindinalva, Luiz, Ana, Gileno, Gilvan, Simone e Dario. Avó de Angélica, Bruna, Enya, Lucas, Gustavo, Marchory, Deivid, Lisandra, Júlio, Renan, Diogo, Talita e Murilo e bisavó de Wesley, Sarathy, Samira, Hugo, Maria, Leonardo e Kenai. Cada nome, uma nota no coral de sua existência, presença viva da ancestralidade afrodescendente nas sete cidades. O ano de 2004 foi o ponto de virada: a gari que varria as ruas de paralelepípedos com cantos do trabalho foi descoberta pela artista visual e ativista Wal Volk, que a apresentou ao então subprefeito João Ricardo Guimarães Caetano. Assim, a trabalhadora do Programa Geração de Trabalho de Interesse Social de Santo André passou a atuar como mestra ceramista no Núcleo de Cerâmica de Paranapiacaba. No espaço, ensinou dezenas de artistas locais a moldar o barro, coordenou a construção do primeiro forno comunitário e comandou queimas e saraus que marcaram a cena cultural do vilarejo. Hoje, segue transmitindo seu conhecimento, fortalecida por outra mulher batalhadora, Cinzia do Amaral, pedagoga e idealizadora da Escola Waldorf Pomar. LEIA MAIS: Projeto gratuito revela atleta de 12 anos em Ribeirão Pires
Encravada entre morros verdes e ruas tranquilas, a instituição ocupa um espaço que privilegia o contato com a natureza e o ritmo orgânico da infância no município de Ribeirão Pires. No sábado, a partir das 17h, começa o espetáculo, recitado, cantado e dançado por 79 crianças e jovens. Ao som dos tambores de seus pais, propõe um encontro entre gerações. E como pede a tradição junina, às 20h será acesa a fogueira para São João Batista. A fogueira não será apenas símbolo de festa: é chamada espiritual, princípio da pedagogia criada pelo austríaco Rudolf Steiner.
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