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E o BRT-ABC, governador?

27/06/2025 | 08:52
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os leitores do Diário hão de se lembrar: em 2019, o governo paulista abandonou a construção da Linha 18-Bronze do Metrô, projeto que previa um ramal ligando o Grande ABC à Capital por meio de monotrilho. No lugar, o então governador João Doria anunciou sistema de ônibus de alta velocidade, o BRT-ABC, apresentado como alternativa moderna e eficiente para atender à demanda reprimida de mobilidade. Passados cinco anos, todavia, o que se vê é canteiro de obras que avança lentamente, com etapas inconclusas e nenhuma previsão concreta sobre a operação. Enquanto isso, os moradores seguem enfrentando entraves de mobilidade, sem o benefício de nenhum dos dois modais prometidos.

A decisão de substituir o Metrô por um corredor de ônibus já havia causado desconfiança à época, mas o que de fato se confirmou foi um prejuízo significativo para os cofres públicos. Com o cancelamento do contrato da Linha 18-Bronze, o Estado concordou em pagar, a título de indenização, R$ 344 milhões ao Consórcio Vem ABC, vencedor da concessão interrompida. O montante, assegurado sem que sequer um metro de trilho fosse instalado, representa custo alto por serviço que jamais chegou perto de funcionar. Por outro lado, a gestão estadual, agora com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), acaba de mudar, pela quinta vez, a data de entrega do BRT-ABC, de janeiro para junho de 2026.

Ao mesmo tempo em que o Estado tenta resgatar a promessa de expansão do Metrô com a possível chegada da Linha 20-Rosa ao Grande ABC, seria razoável esperar que, no mínimo, o BRT já estivesse em funcionamento – o plano original de julho de 2019 previa a inauguração em 18 meses. A proposta de integração entre modais não pode conviver com promessas não cumpridas. O transporte na região metropolitana precisa de respostas concretas, não apenas de projeções futuras. Tarcísio de Freitas, que se apresenta como gestor eficiente, deve à população da região a entrega de sistema que, embora ainda não tenha transportado um passageiro sequer, já representa gastos expressivos ao contribuinte.

DGABC



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