Economia Titulo Polo

Indústria química registra quedas na produção e vendas

Setor computa, no primeiro trimestre, baixa nos principais indicadores; ocupação da capacidade instalada ficou em 62%, a menor desde 1990

Nilton Valentim
27/06/2025 | 08:33
Compartilhar notícia
FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A indústria química brasileira registrou quedas importantes no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A produção recuou 3,8%, as vendas internas caíram 2,6% e o CAN (Consumo Aparente Nacional), que engloba a produção somada às importações e subtraídas as exportações, registrou uma retração de 5,3%. Os dados são da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química). 

Segundo a entidade, estes percentuais mostram a perda de competitividade do setor no cenário global, especialmente diante da concorrência – considerada desleal pela Abiquim – de insumos importados, sobretudo dos Estados Unidos e da Ásia, além dos altos custos de energia, gás natural e tributação.

Essa situação preocupa o Grande ABC, visto que são cerca de 890 empresas do ramo químico, petroquímico, plástico, resinas sintéticas, tintas e vernizes, armas e munições e setor farmacêutico, segundo o Sindicato dos Químicos do ABC. Dentre as 126 filiadas à Abiquim instaladas em São Paulo, 12% se concentram nas cidades de Santo André (4%), São Bernardo (2%) e Mauá (6%).

DGABC

A utilização da capacidade instalada atingiu um patamar médio de 62% no primeiro trimestre de 2025, uma queda de três pontos percentuais em relação aos 65% registrados no mesmo período de 2024. Este é o menor nível médio de operação de toda a série histórica da entidade, que remonta a 1990. Consequentemente, o nível de ociosidade atingiu 38%, o pior patamar dos últimos 30 anos. Setores como intermediários para fertilizantes (43%), intermediários para plásticos (45%), intermediários para fibras sintéticas (51%) e intermediários para plastificantes (53%) apresentaram níveis de ociosidade acima da média geral.

PODERIA SER PIOR

A Abiquim destaca a atuação do governo federal para amenizar a questão. Em outubro de 2024, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) incluiu 30 produtos químicos estratégicos na DCC (Lista por Desequilíbrios Comerciais Conjunturais). Isso fez com que no primeiro trimestre de 2025, o coeficiente de penetração de importações atingisse a marca de 43%, uma redução de dez pontos percentuais em relação aos 53% registrados no mesmo período de 2024. 

Segundo André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, é importante ressaltar que a indústria química nacional atua como tomadora de preços no mercado internacional, sendo impactada pelas flutuações do barril de petróleo, nafta petroquímica e gás natural, influenciadas pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, além das condições de oferta e demanda globais. A flutuação do Real em relação ao Dólar também exerce impacto significativo nos preços praticados no mercado doméstico.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;