Segurança pública Secretário fez a declaração durante palestra ontem em Santo André; presidente do PSDB minimizou críticas ao dizer que realidade era outra
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, e também deputado federal pelo Progressistas, licenciado do cargo, afirmou que o governo do Estado ignorou durante quase três décadas o combate ao crime organizado. “Houve negligência em relação ao crime organizado. Por 30 anos fingiram que o PCC (Primeiro Comando da Capital) não existia”, declarou em palestra ontem à noite em Santo André.
O período citado por Derrite compreende as gestões do PSDB. O ciclo teve início em 1995 com Mário Covas (falecido em março de 2001) e encerrou em 2023, com Rodrigo Garcia. No ano seguinte, Tarcísio de Freitas (Republicanos) assumiu o comando do Palácio dos Bandeirantes.
A crítica ocorreu durante explanação sobre a expansão do PCC para outros 28 países, principalmente em nações da Europa e das Américas. São ao menos 40 mil faccionados subordinados à organização criminosa paulista, a maior de todo o Brasil. A estrutura foi detectada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo.
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Ex-prefeito de Santo André e presidente do PSDB paulista, Paulo Serra minimizou as críticas do secretário. “Temos de avaliar o momento. A gestão disruptiva iniciada por Mário Covas tinha de recuperar investimentos, as contas públicas e reduzir a máquina. Naquele momento que o PSDB começou esse projeto, a segurança não era prioridade. Os índices e a realidade eram outros. Ninguém nega as políticas que fizeram com que São Paulo se tornasse a locomotiva do Brasil”, disse Paulo Serra ao Diário, na saída do evento promovido pelo Lide Grande ABC, no restaurante Baby Beef Jardim, em Santo André.
PROJETO PILOTO
Derrite anunciou que hoje o governo do Estado vai lançar um programa para recuperar celulares furtados ou roubados. Com o número de identificação, IMEI (em português, Identidade Internacional de Equipamentos Móveis), do aparelho subtraído por criminosos, as operadoras de celulares serão instadas a apresentar o CPF da pessoa cadastrada naquele dispositivo e se existir mais de um documento registrado ou boletim de ocorrência, uma mensagem será enviada para o usuário, pedindo que compareça a uma delegacia de polícia. Caso não atenda o pedido, o portador do celular poderá ser indiciado por receptação. Somente ontem, na fase de testes, 674 aparelhos foram recuperados.
PROJEÇÕES POLÍTICAS
Derrite, cotado para disputar uma vaga no Senado, afirmou que é preciso ter pessoas comprometidas com a segurança pública em Brasília. Entretanto, não cravou entrar na disputa. “Volto para a Câmara no ano que vem, obrigatoriamente."
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