Manifestação popular Edição acontece hoje na Capital; estudantes destacam que o evento
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Estudantes da UFABC (Universidade Federal do ABC) vão curtir hoje, a partir das 10h, na Capital, a 29ª edição da Parada do Orgulho LGBT+, considerada a maior do mundo pelo Guinness World Records. A concentração está marcada para a Avenida Paulista. O coletivo Prisma Dandara dos Santos, criado por alunos e que participou diretamente na aprovação das cotas trans na instituição pública, reuniu um grupo de 16 alunos para aproveitar juntos a manifestação popular.
O tema deste ano é Envelhecer LGBT+: Memória, resistência e futuro, em homenagem aos precursores do movimento e chama atenção para os direitos das pessoas idosas que fazem parte da comunidade.
Um dos organizadores do coletivo, o analista fiscal Gabriel Augusto França da Silva, 29 anos, explica que a iniciativa de unir os estudantes em uma atividade externa está alinhada com os princípios do próprio movimento popular de ampliar a integração da comunidade LGBT+ e garantir seus direitos.
“Muitas pessoas não têm companhia ou se sentem inseguras para ir sozinhas, então decidimos organizar esse evento. Para quem é da comunidade, a parada é importante em diversos aspectos, como reconhecimento, celebração à vida e também de visibilidade. Além disso, a manifestação tem impacto direto no psicossocial do aluno. Para mim, um homem gay, o evento significa tudo isso, mas representa principalmente a luta por direitos, igualdade e contra a homofobia”, ressalta o organizador.
Não é a primeira vez que a estudante de relações internacionais da UFABC, Allie Terassi, 22, vai participar do evento na Avenida Paulista. Moradora de São Bernardo, a estudante destaca que a união do grupo é importante não só como parte da celebração da cultura LGBT+, mas também para relembrar que as conquistas dessa população aconteceram por meio de lutas coletivas.
“A minha relação acontece do ponto de vista de uma solidariedade muito profunda com aqueles que também desejam acabar com toda forma de LGBTfobia, opressão e exploração. Queremos abrir caminho para uma nova sociedade onde sejamos totalmente livres, sem as amarras da violência transfóbica que faz do Brasil o País que mais mata travestis em todo o mundo pelo 16° ano consecutivo”, pontuou a estudante, que é travesti e bissexual.
Na parada, Allie irá participar do bloco Frente Palestina de São Paulo. “Para dizer que não há orgulho no genocídio. Nenhum povo do mundo está livre enquanto a Palestina não for livre do rio ao mar”, diz a jovem, que acredita que a manifestação popular também é um espaço de disputa política.
O doutorando em economia política mundial da UFABC e um dos organizadores do Coletivo Prisma, Matheus da Cruz, 31, já foi em mais de três edições e destacou o sentimento de liberdade e de reafirmação da existência da comunidade durante a parada. “As pessoas procuram não só celebrar, mas se sentir vivas, respeitadas e libertas. Estamos de mãos dadas com a alegria de poder existir, viver, trabalhar, ter saúde e qualidade de vida”, pontua Cruz.
HISTÓRIA
Allie Terassi relembra o início da Parada LGBT+ no mundo. O primeiro evento aconteceu em junho de 1970 em Nova York, nos Estados Unidos, um ano após a Revolta de Stonewalll, uma série de manifestações da comunidade contra uma batida policial no bar de mesmo nome, no Greenwich Village, em 1969.
Esse evento é considerado um marco na luta pelos direitos LGBT+. “A revolta se transformou em uma mobilização de cerca de seis dias seguidos, com as pessoas LGBTs na linha de frente contra a violência policial e a LGBTfobia”, destaca a estudante de relações internacionais.
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