Política Titulo Artigo

Instituição não se derruba, se reforma

Percival Puggina
20/06/2025 | 11:08
Compartilhar notícia
 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Poucos homens são suficientemente sábios para aprender, na observação dos acontecimentos de seu tempo, lições cuja validade se impõe durante os séculos seguintes. O inglês Edmond Burke foi um deles.

O caos ainda não se instalara completamente. A Assembleia Constituinte francesa já revelara, porém, intenção de demolir as instituições do Antigo Regime. Somente mais tarde o sangue iria marcar para sempre o solo da Place de la Concorde. Burke, contudo, já escrevia e publicava, em 1790, sua obra mais notável: Reflexões Sobre a Revolução na França. O que aconteceu naquele fim de século merece capítulo especial no cadastro mundial das insanidades. Ao mesmo tempo, é festejado berço da mentalidade revolucionária que ainda hoje causa alvoroço em muita gente doida e dano severo à vida de tantos povos.

Quantas vezes li que grandes mudanças para melhor não acontecem sem derramamento de sangue! Uau! Quem o propõe jamais cogita do próprio sacrifício. Sua sede é de sangue alheio e, se possível, em pouca quantidade para não ser repulsivo perante a História. Consultem os povos que viveram revoluções sangrentas. Perguntem aos russos de 1917 se valeu a pena derramar o sangue da família Romanov. Perguntem o mesmo às vítimas do comunismo chinês e às dezenas de milhões que sucumbiram à fome e à violência impostos por Mao Tsé-Tung.

DGABC

Façam isso, também, no Camboja, no Laos, no Vietnã e na Coreia do Norte. Perguntem às vítimas da revolução em Cuba, às do sandinismo na Nicarágua e às do bolivarianismo na Venezuela. Noutra de suas faces, a desumanidade dos totalitarismos regados com sangrias revolucionárias e liberticidas, se expressa na pergunta: seus povos vivem melhor hoje do que viviam então? As respostas farão você chorar de comiseração.

Nada que tenha algo a ver com democracia pode ser aprendido das lideranças chinesas, russas, iranianas, venezuelanas, cubanas ou nicaraguenses! Nem de quem for adversário da liberdade de expressão, como a Organização Comunistas Sem Fronteira (também conhecida por Foro de São Paulo) ou o Sul Global. Muitos dos males que nos atormentam resultam de realidades que, antes, nos recusamos a ver.

Entre elas, nosso modelo institucional ficha suja, porque dinheirista e mercantil, que piora a cada oportunidade de promover alguma retificação e se constitui numa usina de más possibilidades. Na sua versão 2025/2026, turbinada, esse modelo já jogou a liberdade e a democracia para o acostamento e seguiu em frente, negando assistência às vítimas. Não desista da política porque se desistir, você passa a ser um problema resolvido.

Percival Puggina é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Liberais e Conservadores.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;