Reconhecimento Fotógrafo retrata o dia a dia de áreas ‘marginalizadas’ com sensibilidade e respeito à diversidade
FOTO: Arquivo Pessoal

O jornalista, fotógrafo e videomaker André Coelho foge da lógica do jornalismo convencional e vem ganhando destaque por retratar áreas estigmatizadas, seja pela violência ou vulnerabilidade, sob outro olhar. Morador da Vila São Pedro, em São Bernardo, o jovem, 28 anos, afirma que sentiu na pele o estigma por ser morador de um bairro periférico e estudar em uma faculdade em que a mensalidade beirava os R$ 2.000.
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O são-bernardense revela que por longo tempo se sentia incomodado em falar que era da Vila São Pedro, não por vergonha de onde mora, mas por ter de aguentar os comentários maldosos. Apesar de valorizar a universidade, tendo em vista que estudava com bolsa, ele não tinha a fotografia como a sua aula predileta, mas foi o meio que encontrou para dar voz, com sensibilidade e respeito, à diversidade de seu bairro. Seus vídeos e fotos mostram a simplicidade do dia a dia da periferia. Seus personagens são reais. Trabalhadores, moradores da comunidade, animais, vielas e até uma simples bicicleta ganham cores diferentes sob suas lentes. “Uma frase me marcou profundamente quando minhas fotos começaram a ganhar destaque. Um garoto me disse: ‘nem parece o lixão onde moro’. Naquele momento percebi porque meu trabalho ganhou destaque em pouco tempo. Eu represento esses moradores da periferia e eles passam a ver com outros olhos o lugar onde moram”, conta ele. Com pouco mais de um ano produzindo conteúdo para as redes sociais, Coelho tem quase 200 mil seguidores e um de seus vídeos atingiu 11 milhões de visualizações. “Tinha feito um trabalho no Centro de São Bernardo e na volta para casa tirei umas fotos e fiz vídeo de um frentista de posto que se encaixava no que a maioria das pessoas acha que é o estereótipo do rapaz da periferia, todo tatuado. À noite coloquei nas redes. Quando acordei já tinha 1 milhão de visualizações. Em poucos dias atingiu 11 milhões”, diz. O jovem afirma que o reconhecimento ao seu trabalho ainda o assusta devido à rapidez. “Crianças, adultos e idosos já me reconhecem nas ruas e procuro ser um influenciador, apesar de não gostar do termo, de boas práticas, principalmente para as crianças. Sempre falo que têm de estudar e procuro ser um bom exemplo”, pontua. O reconhecimento ao seu trabalho também começou a render parcerias. Além de conseguir patrocínio da K2 Network, empresa que nasceu na Vila São Pedro e hoje conta com cerca de 100 colaboradores, Coelho recebe lentes e equipamentos para sua câmera a fim de fazer testes. “Com o patrocínio comecei a produzir minidocumentários jornalísticos para redes sociais contando a história de empreendedores de São Bernardo, com destaque aos que são da Vila São Pedro. Já fiz fotos em Diadema e quero fotografar outras cidades da região, mas sempre com esse olhar ‘de rua’. Represento essas regiões por vezes marginalizadas. Quero mostrar que também têm suas belezas e suas diversidades”, explica Coelho.
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