Cultura & Lazer Titulo Mina de ouro

Produtora busca ‘joias da periferia’ no Grande ABC

Lançamento de músicas e videoclipes de funk promovem representatividade em Santo André

04/06/2025 | 14:42
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FOTO: Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Levantar a bandeira do funk no Grande ABC se tornou o sonho dos amigos Angelo Costa, João Biasi, Ricardo José Damasceno, Felipe Santiago e Victor Lacerda, de Santo André. Como hobbie, foi a partir da criação de um estúdio, no interior de um bar no Jardim Cristiane, que nasceu a produtora musical Batidão Records, responsável por popularizar sons e videoclipes de artistas de comunidades da região. 

A iniciativa completa três anos de trabalho. “Na TV e nos jornais, as comunidades 99% das vezes são retratadas de forma negativa. Para balancear este preconceito, aqui apoiamos muitos projetos sociais nascidos nas comunidades e rolam até produções de graça na Batidão, que retratem a nossa realidade”, conta Costa. 

A iniciativa integra na equipe base MC, DJ, produtores musicais, videomaker e fotógrafo. A união deu vez a 21 audiovisuais lançados. “O objetivo é dar voz a quem não conseguiu fazer seu trabalho em um estúdio musical convencional, que tem custos muito altos. Particularmente, já trabalhei em produtoras com artistas de alto nível, acumulando mais de 50 milhões de visualizações, por exemplo. Somada à toda experiência dos meninos (demais sócios), achamos que isso e a criatividade influenciam para que nossas produções tenham tanta qualidade, mesmo com baixo custo de produção e sejam oferecidas a quem tem menos condições”, diz Costa. 

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De acordo com o profissional, o funk carrega camadas tão profundas quanto às críticas sociais e a representação de uma classe. “A periferia em geral está nos noticiários só nas tragédias. Então, ninguém pode questionar como o funk é um lugar de expressão: um subgênero mandelão, retrata elementos de um baile funk tradicional; um consciente conversa com o pobre sofredor que vence na vida; um proibidão menciona a criminalidade”, exemplifica Biasi. Nas gravações da Batidão, nenhum dos temas é proibido, mas, segundo ele, “o foco está em músicas que a comunidade se identifique em animação, não necessariamente o gosto vai por pancadões”. 

Para Costa, no rumo de dar voz aos talentos da periferia, o maior desafio da empresa esbarra “na bolha do mercado”. “Definimos a companhia como umas ‘batidas de todos os ritmos para todas as quebradas do mundo, diretamente do Grande ABC’. E, mesmo próximos da Capital, o difícil está em movimentar os contatos e o marketing para não ficarmos atrasados em relação a outros locais. A região precisa cada vez mais se fortalecer”, reflete o andreense. 

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