Programa Cacau SP Produção já se espalha por 38 municípios e atrai empreendedores, turistas e apaixonados por chocolate
FOTO: Gilberto Marques/SAA

O cacau, tradicionalmente associado à Bahia e ao Pará, agora começa a escrever um novo capítulo em terras paulistas. A cultura, antes improvável para o clima do Sudeste, mostra resultados promissores em 60 propriedades espalhadas por 38 municípios de São Paulo, graças ao uso de clones adaptados e ao trabalho técnico do Programa Cacau SP.
Coordenado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o programa conta com apoio da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e da Apta Regional. Os clones CCN51, PS1319 e BN34 foram escolhidos por sua produtividade e resistência, e vêm transformando a paisagem rural — e também a economia — de várias cidades do estado.
Foi durante a pandemia que Diego Francisco Ferreira da Silva, agricultor em Mendonça (SP), decidiu apostar em algo novo. Incentivado por técnicos da CATI, ele plantou suas primeiras mil mudas de cacau em consórcio com bananeiras. Três anos depois, a área dobrou de tamanho e o antigo sítio da família virou o Rancho do Cacau, com planos de produzir chocolates finos e abrir as portas ao turismo rural.
“É uma cultura com valor agregado e que nos permite diversificar a produção. Hoje, além da venda de amêndoas, já começamos a desenvolver nosso próprio chocolate e abrimos espaço para quem quer conhecer de perto o cacau paulista”, afirma Diego.
O movimento atraiu não só agricultores locais, mas também profissionais de outros estados. É o caso de Joilson dos Santos de Jesus, técnico agrícola vindo de Igrapiúna, na Bahia, que se estabeleceu em São Paulo ao perceber o potencial da região de São José do Rio Preto.
Já a empresária Renata Martucci, de Jaboticabal, viu no cacau paulista uma solução logística. Antes, sua matéria-prima vinha de Ilhéus (BA), mas ela agora compra de produtores locais. "Essa proximidade reduziu custos e garantiu mais estabilidade ao nosso processo", explica. Adepta do modelo Bean to Bar, Renata preza por práticas sustentáveis e ingredientes naturais na produção de chocolates artesanais.
Segundo Fioravante Stucchi Neto, da CATI, o cacau adaptado ao estado começa a produzir em três anos e pode atingir até 3 mil quilos por hectare, superando a média nacional. “Além do clima favorável em algumas regiões, temos suporte técnico contínuo, desde o plantio até o pós-colheita”, explica.
Esse pós-colheita é outro diferencial. Em Mendonça, foi criada uma unidade de processamento equipada com descascador, torrador e moedor, disponíveis aos produtores. Também são oferecidos cursos gratuitos e assistência técnica, criando uma cadeia produtiva sustentável, conectada e profissional.
O impacto social também se destaca. Em parceria com a prefeitura de Mendonça, os produtores de cacau já fornecem 50% da demanda de chocolate para a merenda escolar local. Paralelamente, propriedades como o Rancho do Cacau estão apostando no turismo rural e na educação alimentar, promovendo visitas, oficinas e degustações.
O estado ainda conta com um viveiro oficial da CATI em Pederneiras, com capacidade para produzir até 100 mil mudas por ano, garantindo qualidade genética e sanidade vegetal.
*Com informações de Agência SP
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