Após anos de luta acompanhada de perto pelo Diário, finalmente a Corporação Musical Lyra de Mauá, conhecida por Banda Lyra, conseguiu em definitivo e na última sessão do ano, a concessão de área da Prefeitura para a construção de sua sede e prestação de serviços assistenciais. O clima no Legislativo, que marcou sessão extraordinária só por causa do projeto, era de muita emoção. Alguns alunos da banda tocaram instrumentos durante a votação do projeto de lei, aprovado de forma unânime.
Todos os parlamentares fizeram seus discursos, que demonstravam a admiração pela banda da cidade. Mas é válido lembrar que para chegar até aqui, a banda passou por momentos difíceis nos últimos anos. No embate político, vereadores lembraram da demora em avalizar cessão de terreno. "O Leonel (Damo) mandou em 2008 projeto de lei para a doação da área, mas a bancada petista impediu a aprovação." Em 2009, ao assumir o governo, o prefeito Oswaldo Dias (PT) se comprometeu a enviar o projeto. "Essa proposta vem tarde, mas é válida. Depois de dez anos no poder (dois mandatos anteriores mais os dois últimos anos) Oswaldo deu a resposta que esperavámos."
Para o oposicionista Manoel Lopes (DEM), a conquista é o pagamento de dívida que a cidade tem com o grupo. "São 76 anos de atividades. Infelizmente, a banda foi penalizada, mas hoje o poder público está pagando um pedacinho dessa dívida. "O Executivo mandou projeto exatamente dois anos depois, também na última sessão do ano . É presente de Natal, mas não do prefeito, dos vereadores, mas da cidade de Mauá."
O líder governista Rômulo Fernandes (PT) pontuou. "É a teimosia mais bonita que já vi na minha vida." O secretário de Governo, José Luiz Cassimiro fez coro. "É uma entidade importante para a juventude e para a sociedade."
De acordo com a presidente da Banda Lyra, Ana Maria Silva, a área era necessária porque a instituição não comporta os 850 atendimentos, sendo que cerca de 500 são realizados na atual sede. "São 350 crianças e adolescentes entre 7 e 18 anos inseridos na Banda Marcial, no Bombeiro Mirim são 120 meninos, nas oficinas culturais desenvolvidas nos bairros e nos pontos de culturas somam-se mais 380 alunos." Outro ponto que forçou a busca pela mudança foi o incômodo causado aos vizinhos. As constantes reclamações e desavenças fizeram com que a banda intensificasse a batalha para conseguir outro local. "Essa aprovação significa esperança, realização de um sonho, um marco na história da banda", comentou.
Glaúcio Alexandre S. Silva, 15 anos, aprendeu a tocar há três anos trombone e resumiu o sentimento do grupo. "Pensei algumas vezes que a banda iria acabar, mas estou feliz porque não vamos ter mais problemas."
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.