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Diocese celebra missa em homenagem a Francisco

Fiéis, lideranças religiosas e políticos do Grande ABC se reuniram na Catedral do Carmo, em Santo André

22/04/2025 | 08:15
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Diocese de Santo André reuniu na última segunda-feira (21), na Catedral do Carmo, fiéis de diversas paróquias do Grande ABC para celebrar a Santa Missa em homenagem póstuma ao papa Francisco, que morreu aos 88 anos. Cerca de 50 padres contribuíram com a cerimônia. A missa reuniu católicos de todas as idades, emocionados, tristes e gratos pela vida e legado do pontífice.

Iniciada pontualmente ao meio-dia, como de costume, a celebração começou destacando as características espirituais do papa, como a humildade e a sensibilidade diante da divisão do mundo.

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“Desde sua eleição em 2013, Jorge Mario Bergoglio encantou fiéis e não fiéis com sua mensagem de misericórdia, justiça social e amor ao próximo. Seu papado foi caracterizado por uma proximidade singular com os mais pobres, uma visão renovada sobre o papel da Igreja e reformas que buscavam tornar a instituição mais transparente e inclusiva”, disse o seminarista Rafael Lourenço Campachi Martin no início da celebração.

A atuação social de Francisco chegou a render-lhe acusações de que era comunista, fato comentado pelo bispo Dom Pedro Carlos Cipolini, responsável pela Diocese do Grande ABC. “Ele falou muito sobre justiça social, que é preciso partilhar as riquezas, que a ganância não vem de Deus, sobre essa sede por dinheiro. Então, tem gente que não gosta. Tem governantes que não gostam dele e acham que todo mundo que fala de pobre e de partir o pão é comunista. Mas isso é uma ignorância”, afirmou o líder dos católicos na região.

Dom Pedro também defendeu a ideia de que o governo deve promover empregos para combater a raiz da pobreza. “Já à Igreja cabe oferecer assistência aos que mais precisam, sem manter as pessoas presas a programas governamentais, acabando com a necessidade de parte da população viver de esmolas”, complementou.

A passagem de Francisco pelo Brasil também foi relembrada como uma das primeiras realizações de seu pontificado, destacando-se a relação com os jovens durante a Jornada Mundial da Juventude de 2013, além da simplicidade e do carisma demonstrados ao povo.

O padre Joel Nery, pároco da Catedral Nossa Senhora do Carmo, classificou o momento como triste, mas cheio de esperança. “Estamos no Jubileu da Esperança. Não podia haver momento melhor para o papa realizar a sua Páscoa. Essa é a nossa esperança: a Páscoa definitiva. Acho que Deus, em sua providência, preparou a Páscoa do papa junto com a de Cristo”, disse o padre, que complementou: “Para quem tem fé, a vida não é tirada, é transformada.”

Representantes políticos estiveram presentes na celebração em homenagem ao papa. Entre eles o prefeito de São Bernardo e presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Marcelo Lima (Podemos), que estava acompanhado do chefe do Legislativo são-bernardense, Danilo Lima (Podemos).

“A atuação do Papa Francisco estava baseada na humildade, na entrega aos pobres. Embora fosse chefe de Estado e tivesse direito às honrarias do cargo, dispensou todas elas para se apresentar como ser humano. Vai fazer muita falta”, disse Marcelo Lima. “Tomara que a Igreja eleja um sucessor à mesma altura”, completou.


Religiosos destacam o líder de todas as fés

Religiosos do Grande ABC destacaram o exemplo de humildade e fraternidade que o papa Francisco representa e a perda de sua partida para o mundo, tanto para cristãos e não-cristão, já que o pontífice tinha a habilidade de dialogar com todos, de diferentes fés. 

A coordenadora da pastoral afro da Diocese de Santo André, Terezinha de Jesus Silva, avaliou que o mundo perdeu a maior voz profética dos últimos tempos. “Um inigualável representante de Jesus Cristo, que pregou uma igreja que acolhe, ensina e protege. Ele sempre dialogou com todos e todas religiões, deixando bem claro quais as tarefas e o compromisso profético de cada um”, ressaltou. 

A escritora cristã Maurinéa Aparecida dos Santos, que atuou por 14 anos na Mitra Diocesana de Santo André, ao lado do bispo dom Nelson Westrupp, disse que o legado do pontífice é imortal. “O papa Francisco surpreendeu o mundo com sua voz e seus atos de caridade. Ele trouxe à tona questões que abalaram a zona de conforto de muitos, mesmo dentro da igreja, e foi admirado por cristãos e não cristãos, por crentes e ateus. Admirado por suas atitudes humanas e demonstrações de solidariedade e ajuda aos mais pobres.”

Para Mariana Bonotto, membro do Setor Inclusão e do Conselho Diocesano Feminino de Santo André, o papa viveu o que pregava e seu legado perdurará por muito tempo. “Ele foi tradicional e dócil ao mesmo tempo, ensinando amar aos pobres e a servir, pedindo respeito a natureza e reflexão para uma economia mais solidária. Para os cristãos, também para os não cristãos, ele foi um exemplo.”




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