Proposta População destaca carência de serviços para quem sofre de transtornos psicológicos e a importância de se ampliar rede de apoio no Grande ABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O Diário foi às ruas ouvir a população do Grande ABC sobre a campanha lançada pelo jornal pela ampliação da rede de retaguarda da saúde mental na região — proposta que inclui a criação de um hospital público exclusivo para o atendimento de transtornos como depressão, ansiedade, síndrome do pânico e outros distúrbios emocionais. A resposta foi clara: os moradores reconhecem que a saúde mental precisa sair do plano dos discursos e virar prioridade efetiva no planejamento público.
A iniciativa tem como objetivo chamar atenção para lacuna histórica da saúde pública: a falta de estrutura adequada para acolher e tratar transtornos mentais com a seriedade e o cuidado que o tema exige.
Quem sente na pele a carência por esse tipo de serviço é o representante comercial Valdir Tavares Souza, 59 anos, morador de Diadema. Ele convive com um caso próximo na família. “Estamos carentes desse tipo de serviço. Aqui não temos nada que supra as necessidades das cidades”, afirma. Segundo ele, o único caminho é recorrer a hospitais comuns, onde não há preparo para esse atendimento. “Se um dia existir um hospital apenas para questões mentais, será importante não só para a gente, mas para todos”, afirmou.
Já o vendedor Cícero Jancinto de Paula Junior, 40, de Mauá, admite que nunca havia refletido a fundo sobre saúde mental, até perceber como o tema se relacionava com sua realidade. “Tenho alguns parentes em tratamento de bipolaridade”, relata. “Descobri há pouco tempo que existem tratamentos para doenças mentais. Acho que falta informação, ainda mais para pessoas em extrema pobreza. Todos merecem acesso.”
De Santo André, a operadora de caixa Joselia de Souza, 40, é direta ao avaliar a forma como o tema é tratado. “Falam pouco e fazem quase nada. A saúde mental é um assunto esquecido, deixado de lado”, diz. Para ela, a criação de um hospital exclusivo é urgente e necessária. “Se todos colaborassem e focassem em fazer acontecer, um hospital público na região seria uma boa ideia. É necessário.”
O estudante de letras Lui Dimarco, 18, de São Caetano, cresceu durante a pandemia e carrega impressões marcantes sobre a forma como a sociedade lida com transtornos. “Muita gente trata como algo que vai passar. Só que depressão, por exemplo, não vai embora — ela volta. É um assunto que as pessoas jogam debaixo do tapete”, disse. “Um hospital especializado nisso seria muito importante”, defendeu.
Geovana Santos da Silva, 20, técnica em enfermagem e moradora de Santo André, convive de perto com os impactos da negligência à saúde mental. Ela relata que muitos pacientes chegam ao serviço sem rede de apoio e emocionalmente esgotados. “Eles carregam uma sobrecarga emocional por não terem alguém para conversar. Hoje temos o Caps, mas nem todos têm acesso. E ainda existe muito preconceito — há quem faça chacota de quem frequenta.”
Já para o mestre de obras Gilson da Silva, 53, de São Bernardo, é preciso começar a falar mais sobre saúde mental — e cobrar providências. “As pessoas precisam entender o que é saúde mental”, afirma. Ele conta que um sobrinho faz tratamento no Caps, mas considera que a estrutura ainda é muito limitada. “Um hospital específico ajudaria muito. A ideia é boa e tem que chegar aos políticos.”
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