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Espiritualidade da Semana Santa

Anderson Marçal Moreira
12/04/2025 | 09:44
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A semana é santa porque nela celebramos os momentos mais importantes da nossa salvação. São João resume desta forma: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. E também: “Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou”. Com sua entrega por nós, Jesus santificou essa semana, e nós a santificamos com nosso compromisso cristão. Ao abraçar em seu coração humano o amor do Pai pelos homens, Jesus “amou-os até o fim (...) pois ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos que ama”.

Assim, no sofrimento e na morte, sua humanidade se tornou o instrumento livre e perfeito de seu amor divino, que quer a salvação dos homens. Com efeito, aceitou livremente sua paixão e sua morte por amor de seu Pai e dos homens, que o Pai quis salvar: “ninguém me tira a vida, mas eu a dou livremente”. Daí a liberdade soberana do Filho de Deus quando ele mesmo vai ao encontro da morte.

Os dias da semana santa oferecem uma oportunidade muito privilegiada para renovarmos nosso encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo e experimentarmos a força e o ardor com que nos ama, a ponto de dar sua vida por nós na cruz.

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Na oração, na meditação, na leitura orante do evangelho e na participação das cerimônias da Semana Santa, teremos oportunidade de encontrar-nos com Cristo vivo, fortalecer nossa adesão a ele e encher-nos do fogo do Espírito Santo para sairmos em missão.Celebrar a Semana Santa, para os cristãos, é aprofundar as dimensões mais importantes da vida humana. É uma ocasião privilegiada oferecida pela liturgia para a renovação de um compromisso com a vida, e com a fonte da vida, a única que tem força para superar a morte e os esmagamentos que pesam sobre o povo.

Na sociedade atual, a Semana Santa vem perdendo o clima religioso popular. Porém, sobrevivem manifestações de devoção centradas na Paixão de Cristo. O povo venera Cristo como o “homem das dores”, o nazareno sofredor e moribundo, com ele vive a sua agonia, enquanto povo de oprimidos e deserdados. Por esta razão que é a Sexta-feira Santa, não o Domingo da Ressurreição, a celebração cristã popular de maior adesão na Semana Santa, para aqueles que não entendem plenamente o evangelho. Para estes, a morte de Cristo é símbolo de todo o sofrimento.

A identificação com o Crucificado leva o povo a plasmar em imagens, gestos, cantos e orações a sua espiritualidade pascal. O símbolo popular mais forte e comovedor da Semana Santa é a cruz, com sua mística: “Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos. Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados”.

Anderson Marçal Moreira é sacerdote da Comunidade Canção Nova e doutor em Teologia Pastoral Bíblica e Litúrgica.




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