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Grande ABC registra crescimento de 500% nas cirurgias bariátricas

Após diminuição na pandemia, número de procedimentos voltou à normalidade em 2024; pacientes chegam a perder metade do peso corporal

06/04/2025 | 07:01
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Denis Maciel/DGABC
Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O Grande ABC contabilizou 53 cirurgias bariátricas na rede pública em 2024, uma média de quatro procedimentos mensais, e um crescimento de 490% em comparação ao ano anterior, quando foram realizadas nove cirurgias. O volume ainda está abaixo ao de antes da pandemia da Covid-19. À época, eram feitas dez bariátricas por mês, em média. As cirurgias foram pausadas durante a crise sanitária, de acordo com informações da Secretaria da Saúde do Estado.

Os dados englobam procedimentos realizados nos hospitais de referência para a cirurgia no Grande ABC, que são o Hospital Estadual Mário Covas e o Centro Hospitalar, ambos em Santo André, e o Hospital Estadual de Diadema. 

O médico especialista em bariátrica no Hospital Estadual de Diadema, Rafael Katayama, explica que antes de ser recomendada a cirurgia, o paciente passa por um período de tratamento e avaliações, sendo a bariátrica o último recurso utilizado. “A cirurgia bariátrica é recomendada para pessoas com obesidade de grau 3, com um IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 40, ou que tenham doenças associadas, como problemas circulatórios, diabetes e doenças motoras. Idealmente, eles passam em consultas regulares de três a seis meses, e passam por um tratamento clínico, que envolve medicação e alimentação, por no mínimo, dois anos.”

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O especialista ressalta que a obesidade é uma doença tratável, mas não curável, e que sua superação vai muito além da força de vontade do paciente. “Hoje compreende-se que a obesidade não é só uma questão comportamental. É um mecanismo bastante complexo, em que o paciente vive em um estado de inflamação crônica que gera várias alterações no metabolismo, que afetam a regulação do sistema de saciedade”, afirma. 

Obesidade

A maquiadora e moradora de São Caetano Anna Christina da Cunha Duarte, 41 anos, saiu dos 124 para 77 quilos – ela tem 1,60 metro de altura – após a cirurgia bariátrica, que realizou há cerca de três anos. “Eu sempre estive acima do peso, desde os 11 anos, e fiz todos os tratamentos possíveis e imagináveis. Tomei remédios, tinha alimentação regrada, fazia três horas de academia por dia e não perdia peso. Foi quando descobri que estava com diabetes”, lembra.

Anna Christina optou pela bariátrica, um caminho não muito fácil, mas que solucionou seu problema. “Minha qualidade de vida mudou muito. O diagnóstico da minha diabetes não vai mudar, mas não tomo mais medicação e não tenho mais pressão alta. Mudei meus hábitos alimentares, faço exercícios e até no sono influenciou. Me arrependo de não ter feito antes”, avalia. 

O açougueiro Cristiano Batista, 40 anos, é morador de Diadema e realizou a cirurgia há três anos. Ele perdeu metade de seu peso corporal, saindo de 200 para 100 quilos, distribuídos em 1,88 metro de altura. “Desde sempre tive problemas com o excesso de peso, desde novo vivi a obesidade, que me trazia muitas dificuldades, como encontrar roupas, muitas dores nas pernas e lombar para caminhar, falta de ar ao subir ladeira ou lugares com elevações. Evitava pegar ônibus por medo e vergonha de ficar preso na catraca”, revela. Hoje, o diademense pratica musculação, tendo já ganho massa muscular, e vive com muito mais qualidade de vida. “Se não fosse a pandemia, eu teria feito antes. Valeu muito a pena”, ressalta. 

A social media de Santo André Brisa Francisco de Andrade, 30, optou pela cirurgia após passar por muitas dietas restritivas durante anos, sem conseguir controlar o peso. Após o procedimento, realizado em 2021, ela, que tem 1,54 metro de altura, saiu de 90 para 54 quilos. “É uma recuperação que exige muito cuidado e que demanda também controle na alimentação. Mas foi uma cirurgia tranquila. Demorou dois anos para chegar no peso final, emagreci tudo que precisava. Hoje vivo uma vida muito mais saudável e ativa. Tinha muita dor no corpo, o ligamento do pé foi rompido por causa da obesidade e eu tinha gordura no fígado”, conta. 




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