Reflexões Equidade no judiciário é abordada pela diretoria feminina da subseção
FOTO: Celso Luiz/DGABC

A OAB de São Bernardo realizou o Dia da Mulher Advogada nesta sexta-feira (28), com palestras, happy hour e a exposição de 20 pequenas produtoras. Entre os destaques do primeiro evento organizado na gestão de 2025-2027 - presidida por Luiz Bertanha -, estiveram as reflexões sobre a equidade de gênero no judiciário, propostas por Adriana Preti (vice-presidente) e Munick Davanzo (diretora-geral).
Segundo as diretoras, a posição feminina em cargos de liderança tem avançado gradualmente no mercado regional de advocacia. “Hoje somos maioria entre os advogados. Sendo assim, se torna uma consequência natural que cresçamos também cada vez mais na gestão”, argumentou a vice-presidente da entidade, que no triênio de 2022-2024 contou com três mulheres na diretoria.
Para Munick, o movimento se dá “pelo olhar de gestão 360º e naturalmente humano da mulher”. O perigo para este público, entretanto, torna-se a sobrecarga. “Um homem sabe os hobbies que gosta, mas a gente tem tanta tarefa acumulada que nem sabe o que gosta. Enquanto estamos correndo atrás de reconhecimento, enfrentando jornada dupla (doméstica e de trabalho), nem sempre conseguimos sequer achar o que nos diverte de verdade”, afirma a advogada.
Entre as 500 mulheres aguardadas para a agenda, Celia Santos, advogada formada há 18 anos e que retomou ao mercado há 2, se sentiu especialmente tocada pelo tema abordado. “A postura da mulher sempre tem de ser mais ativa. Podem acreditar que é ainda mais complicado para as mulheres negras”, disse a são-bernardense.
Segundo a advogada, desde que voltou a atuar na profissão, o mercado tem se apresentado mais dinâmico para as profissionais, principalmente em áreas como o Direito da Família e que envolvam a guarda de crianças ou pagamento de pensão alimentícia, por exemplo. “A gente entende também que é uma forma dos clientes, principalmente das clientes, de se sentirem mais acolhidos em necessidades que são particulares”, pontuou.
Neste aspecto, ser advogada, de acordo com a própria vice-presidente da OAB na cidade, ainda é ser julgada por elementos paralelos ao estudo ou histórico profissional. “Aparência, comprimento da saia e até qual sua bolsa são analisadas para mensurar competência profissional”, disse Adriana, que fez votos de que o evento anual continue sendo uma ponte para promover parcerias femininas.
O planejamento para a data levou três meses e promete se tornar o maior evento no calendário da subseção. “Por isso, assim que tomamos posse, já pensamos na organização. O próprio Bertanha apoiou que em 2025 a gente estendesse, por exemplo, a iniciativa para a noite. E o melhor: priorizamos uma programação descontraída, versando sobre temas como imagem pessoal, maquiagem e nutrologia. A gente não acha justo que o mundo espere que as mulheres cuidem de tudo. Então, o autocuidado é necessário”, disse Munick.
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