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Ano das recuperações?

Paulo Leitão
27/03/2025 | 10:54
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Segundo a Serasa Experian, janeiro de 2025 registrou 162 pedidos de recuperação judicial no Brasil, um aumento de 8,7% em relação ao mesmo período de 2024. Micro e pequenas empresas representaram 79,6% desses pedidos, evidenciando um cenário econômico desafiador para empresas do Grande ABC e de todo o País.

Os juros elevados, com a Selic a 14,25%, dificultam renegociar dívidas, enquanto a inflação persistente desde a pandemia aumentou os custos operacionais, afetando setores como varejo e indústria. A queda no consumo agrava a crise, pois a recuperação lenta da renda e o endividamento das famílias reduzem a demanda. Setores como turismo e alimentação, dependentes do consumo, foram impactados, levando empresas como a 123 Milhas a enfrentarem dificuldades financeiras.

A alta do dólar prejudica negócios que dependem de insumos importados ou têm dívidas em moeda estrangeira. Crises anteriores, como a recessão de 2015–2016 e a pandemia, deixaram passivos e baixa liquidez, dificultando a recuperação das empresas. O que fazer agora?

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É um fato que setores específicos sofrem mais intensamente. O varejo, com forte concorrência e margens reduzidas, enfrenta desafios semelhantes aos vividos por Americanas e Casas Bahia. O setor de serviços, especialmente turismo e alimentação, ainda sente os efeitos das crises recentes. Já a aviação lida com altos custos operacionais e dificuldades para recuperar a demanda. Indústria, energia e telecomunicações, que exigem investimentos elevados, também aparecem entre os mais atingidos.

A recuperação judicial impacta toda a cadeia econômica. Para consumidores, pode garantir a continuidade da oferta de produtos e serviços, mas gera incertezas sobre qualidade e preços. Fornecedores enfrentam a suspensão de pagamentos, prejudicando seu fluxo de caixa. No mercado, a recuperação pode evitar falências em massa e preservar empregos, mas também reduz a confiança dos investidores e aumenta a percepção de risco.

Embora fatores macroeconômicos sejam determinantes na crise das grandes empresas, a má gestão interna agrava a situação. Expansões arriscadas, falhas na governança e estratégias financeiras imprudentes aumentam os riscos de colapso. O caso da Americanas, marcado por fraudes contábeis, demonstra como problemas internos podem ser ainda mais destrutivos do que o cenário econômico adverso.

Por fim, o aumento das recuperações judiciais sinaliza a necessidade de reestruturação profunda nas empresas. Cortes de custos, inovação e adaptação ao novo mercado são essenciais para a sobrevivência. Apenas nos primeiros meses de 2025, empresas como Teka, Bombril, FMU e Safras recorreram à recuperação judicial. A grande questão é: 2025 será o ano da queda das grandes companhias ou da reinvenção empresarial?

Paulo Leitão é advogado especialista em recuperação judicial.




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