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Reclamações contra Braskem já começam a ecoar no Legislativo

Presidentes das Câmaras de Santo André e Mauá admitem que vereadores ouvem da população denúncias sobre poluição da petroquímica

Bruno Coelho
27/03/2025 | 08:37
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Vereadores de Santo André e Mauá foram procurados por moradores que reclamavam da poluição emitida pela Bras-kem, a maior companhia do Polo Petroquímico de Capuava, localizado na divisa entre as duas cidades. A confirmação foi feita pelos presidentes das Casas. Por enquanto, os Legislativos se limitaram a apresentar requerimentos cobrando explicações.

“O pessoal comenta sobre a Braskem à boca pequena. Mas alguns vereadores que têm mais acesso ao lado de lá, o Capuava e Parque Novo Oratório, falam algumas coisas sobre a Braskem”, disse o presidente da Câmara de Santo André, Carlos Ferreira (MDB). 

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Chefe do Legislativo de Mauá, Juninho Getúlio (PT) fez coro ao andreense. “Eu não recebi denúncia sobre a Braskem. Sei que é uma empresa importante na região, embora haja questionamentos”, resumiu o petista, dizendo que tem acompanhado as reportagens publicadas pelo Diário nas últimas semanas.

A Braskem, responsável por quatro das 14 indústrias instaladas no Polo Petroquímico de Capuava, pela divisa de Santo André com Mauá, é alvo de constantes reclamações de moradores próximos. Estão entre as queixas o barulho, a poluição gerada no local e ligação com doenças, como hipotireoidismo. Das 28 reclamações direcionadas à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) em 2024, mais da metade (67,8%) foram destinadas à Braskem.

Em Mauá, requerimento do vereador Leonardo Alves (PSDB) pediu explicações à Braskem depois que, em 2022, dispersão de poluentes assustou os moradores da cidade. Em resposta, a empresa admitiu oscilação operacional, resultando em dissipação de polietileno, que pode ser tóxico às pessoas dependendo da forma a ser inalado, embora a corporação afirme que o material disperso na ocasião não foi danoso à saúde.

Diferentemente do que ocorre no Grande ABC, onde os vereadores não avançaram além dos questionamentos à petroquímica, na Capital a Câmara instaurou uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Poluição Petroquímica, apresentando o relatório em agosto de 2023, após 15 meses de trabalho. 

De acordo com o documento, aprovado em plenário no Legislativo paulistano, 77% da população da região do entorno do Polo Petroquímico reclamaram de ruído, odor e fuligem. Instaurada em 2022, a CPI recebeu denúncias sobre os efeitos, possíveis causas e origens da poluição e contaminação ambiental nas proximidades da Braskem.

Além dos moradores, trabalhadores da petroquímica também estão preocupados com a situação da Braskem. O Sindicato dos Químicos do ABC denuncia que a falta de recursos humanos na companhia tem gerado acúmulo de funções e aumentado a possibilidade de acidentes. “Pessoas vão morrer”, alertou o diretor da entidade, Marcio Lisias Barone. Em 2023, explosão matou dois funcionários e deixou outros três feridos.




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