Meta Ex-vice e candidato derrotado à Prefeitura afirma que ainda sonha com a cadeira, mas que meta imediata é ajudar o PL a se fortalecer em 2026
FOTO: André Henriques/DGABC

Luiz Zacarias, ex-vice-prefeito de Santo André, está digerindo a derrota na corrida pelo Paço em 2024. A principal mágoa, a de ter sido preterido pelo então chefe do Executivo, Paulo Serra (PSDB), como o candidato governista, parece estar se dissipando. Tanto que o agora presidente municipal do PL diz que vai trabalhar pelo sucesso da gestão de Gilvan Junior (PSDB), para quem perdeu a indicação e o pleito.
“Quero que a gestão faça um bom trabalho. Um trabalho para a cidade”, disse Zacarias ao Diário, na última terça-feira (25), na primeira entrevista após obter 41.224 votos em 6 de outubro e terminar na terceira colocação, atrás de Beth Siraque (PT), que teve 57.665, e do campeão Gilvan, que conquistou 221.410 – 60,98% dos válidos, o que tornou desnecessário o segundo turno.
Zacarias revelou que se encontrou recentemente com o prefeito, com quem tomou um café. “Falei para ele: ‘Gilvan, estou acompanhando. (O trabalho) está no começo, mas não é porque está no começo que vou deixar de tecer meus comentários, minhas críticas. Não! Estou à disposição. Se você precisar, a gente está aí porque trabalhamos juntos’. Ficamos oito anos juntos. Ele conhece quem é o Luiz Zacarias. Ele sabe que quando dou minha palavra, não volto atrás.”
Classificando o chefe do Executivo como uma pessoa “humilde”, “que ouve as pessoas” e que tem foco, Zacarias lembrou que descobriu as qualidades de Gilvan quando ambos trabalharam na administração anterior, na qual o atual prefeito atuou como secretário de várias Pastas, entre as quais a de Saúde. “Fizemos uma gestão de sucesso. Revolucionamos Santo André, e me orgulho de ter contribuído.”
Zacarias demonstra um pouco de incômodo ao falar de Paulo Serra, de quem foi vice durante oito anos, de 2017 a 2024. Parceiros políticos de longa data, os dois romperam no ano passado depois que o liberal foi avisado de que não seria o escolhido do grupo governista para encabeçar a chapa pela sucessão. “Fiquei meio chateado”, reconheceu.
O ex-vice voltou a lembrar que abriu mão da campanha a prefeito, em 2016, fiando-se em compromisso assumido por Paulo Serra, de que ele, Zacarias, seria o candidato em 2024. “Eu liderava as pesquisas. Acabei abdicando, unindo-me a ele para termos mais força e enfrentarmos o PT. Meu nome era muito mais forte do que o dele.” Na época, a dupla venceu o petista Carlos Grana. FUTURO
Ex-vereador por cinco mandatos, Zacarias admitiu que a sua prioridade é o Legislativo. Com a meta de ajudar o PL a se fortalecer na eleição de 2026, o andreense deve se candidatar a deputado, mas ainda está em dúvida entre a Assembleia Legislativa ou a Câmara Federal. “Existe tendência de disputar como estadual.”
Com três vereadores do PL na Câmara – entre os quais, Lucas, seu filho –, Zacarias evitou falar sobre 2028. Ao ser questionado sobre se mantém o sonho de voltar a disputar a Prefeitura de Santo André, recorreu a um ditado: “Nunca diga que desta água não beberás”.
‘Infantilidade’, diz sobre episódio do Cine Lyra
Luiz Zacarias citou dois fatos para explicar a derrota nas urnas em 2024. O primeiro: a debandada do grupo ligado ao deputado federal Fernando Marangoni (União Brasil) a dois meses do pleito. O segundo foi ter participado da reinauguração do Cine Lyra em 20 de julho, atividade proibida a candidatos.
“Foi infantilidade muito grande da minha parte”, reconheceu Zacarias, revelando que subiu no palco por impulso. “Por estar ali e entender que, poxa, (como) também participei (da reforma), também quero (participar da entrega)”, recordou. Segundo o liberal, o episódio foi decisivo na derrota. “Prejudicou muito.”
Zacarias lamentou o descuido. “Já sou, entre aspas, macaco velho da política. É óbvio que caí. Eu mesmo entreguei minha cabeça na guilhotina”, disse o ex-vice-prefeito, afirmando que adversários passaram a explorar possível impugnação. “Ninguém quer votar em alguém que esteja cassado, que tenha problema legal.”
A perda de apoio de União Brasil, Progressistas e Republicanos em 2 de agosto, em manobra conduzida por Marangoni, desestabilizou sua campanha, disse o liberal. Questionado, não quis se estender sobre o caso. “Não quero falar sobre isso. Tive um problema muito sério de confiar na turma. Então, prefiro não falar.”
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