Editorial A discussão sobre a proibição do serviço de mototáxi no Grande ABC está alicerçada nos índices de acidentes envolvendo motocicletas – muitos deles fatais. O debate foi iniciado nas páginas deste Diário, preocupado com o crescente número de mortes em ocorrências de trânsito nas sete cidades que coincidiu com a entrada em operação do serviço. É por isso que este jornal vê com bons olhos a movimentação dos prefeitos em irem se aconselhar com o colega da Capital, Ricardo Nunes (MDB), em busca de subsídios para, a exemplo de São Paulo, vetar a atividade na região. O consenso dos gestores municipais quanto à não autorização do modal reflete compromisso com a preservação de vidas.
O posicionamento de Nunes, que se opõe à oferta deste tipo de transporte na Capital, encontra respaldo na realidade dos hospitais e nas estatísticas de mortalidade no trânsito. O alto número de vítimas fatais em acidentes envolvendo motos sinaliza que a flexibilização da regulamentação pode agravar cenário já preocupante. A tentativa de reintroduzir o mototáxi por meio de campanhas publicitárias movidas por multinacionais mais interessadas em lucro que em segurança não leva em conta os impactos sobre os serviços de emergência nem os custos sociais. É preciso que a discussão se mantenha centrada na proteção dos cidadãos, em vez de ser orientada por interesses comerciais.
Diante deste panorama, os prefeitos do Grande ABC têm a responsabilidade de fortalecer a articulação com a Capital e impedir a implementação do serviço na região. Nenhum benefício econômico suplanta a perda de vidas. A uniformidade de posicionamento entre as administrações municipais é um fator determinante para evitar que decisões isoladas comprometam a segurança da população. Em um cenário onde a imprudência no trânsito já resulta em perdas irreparáveis, permitir a operação de mototáxis representaria um retrocesso. O debate não pode se desviar da questão central: a necessidade de preservar vidas e reduzir os índices de tragédias que atingem diariamente motoristas e passageiros.
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