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Mais da metade das reclamações do Polo foram contra a Braskem

Das 28 queixas registradas na Cetesb no ano passado, 19 envolveram a empresa, que possui quatro unidades no complexo industrial

25/03/2025 | 08:11
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) recebeu 28 reclamações da população sobre o Polo Petroquímico de Capuava em 2024. Desse total, mais da metade (67,8%) das queixas foram referentes à Braskem, empresa que possui quatro das 14 unidades no complexo industrial, localizado entre Santo André e Mauá.

As notificações foram referentes a odor (forte cheiro de gás e enxofre), emissão irregular de poluentes (fumaça preta), ruído (emissão de vapor) e chama alta do flare (queima de gases). Somente nos primeiros meses deste ano, a agência ambiental recebeu seis queixas pelos mesmos problemas citados, sendo duas genéricas ao complexo e quatro direcionadas à Braskem.

DGABC

Após vistorias realizadas em 2024 pela Cetesb, a petroquímica recebeu duas multas, que totalizaram R$ 604 mil, por emissão de fumaça preta à atmosfera. Além da Braskem, a Recap Petrobrás também foi autuada duas vezes pela mesma infração ambiental, que juntas somam R$ 423 mil.

Neste ano, das dez empresas localizadas no Polo Petroquímico, apenas a Braskem foi penalizada por emissão irregular de poluentes à atmosfera. Segundo a Cetesb, a petroquímica foi multada em R$ 148 mil em fevereiro. O órgão ambiental afirmou que realiza trabalho rotineiro de fiscalização e rondas nas empresas do Polo Petroquímico.

A médica endocrinologista Maria Ângela Zaccarelli Marino, que estuda há mais de 30 anos os efeitos dos poluentes emitidos pela Braskem e outras petroquímicas localizadas no complexo industrial, afirmou que as multas recebidas pelas empresas não são suficientes, pois, a saúde não tem preço.

“Não há dinheiro que possa pagar uma criança ou adulto doente e que correm o risco de morrer com doenças provocadas pela falta de cuidado com o meio ambiente. Até agora, não vimos absolutamente nada que pudesse indicar que essas multas resolveram os problemas da população doente, pois, a poluição está, como demonstrado em trabalhos científicos realizados, presente e sem melhora. Nós não somos contra empresas, porém, somos a favor da população que sofre os impactos ambientais e que está doente”, disse a pesquisadora.

Procurada, a Braskem informou que segue rigorosos padrões de saúde, segurança e meio ambiente, em conformidade com a legislação vigente. “Ao tomar conhecimento de qualquer reclamação, a companhia investiga o ocorrido e adota as medidas necessárias”, pontuou por nota a empresa.

Além disso, a companhia destacou que mantém um canal aberto com a comunidade por meio de ações, como o ‘Formando Laços’, seu programa de visitas, que em 2024 recebeu mais de 3.000 pessoas. “Contamos, também, com uma agente de campo dedicada a manter um contato rotineiro com a comunidade, facilitando a interação, esclarecendo questionamentos e identificando novas oportunidades de atuação.”


QUEIXAS

Nos últimos dias, o Diário mostrou os problemas enfrentados pela população que vive no entorno da Braskem e até em bairros mais afastados do polo. Excesso de poluição, mau cheiro, barulho e doenças ocasionadas pela emissão irregular de poluentes foram alguns dos pontos relatados pelos moradores do entorno do complexo industrial.

Em reportagem publicada na sexta-feira (20), três pessoas, sendo dois moradores do bairro Jardim Sônia Maria, em Mauá, e uma do Jardim Rina, em Santo André, acusam a poluição da região de ser responsável pela doença que desenvolvem na glândula tireoide. 

Estudos nos últimos 36 anos da pesquisadora e médica endocrinologista Maria Ângela Zaccarelli Marino relatam casos na população residente e mostram a correlação com as emissões de poluentes das chaminés das indústrias.




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