Procedimento Município é o primeiro do País a estender idade máxima para realização do exame; rastreamento precoce busca diminuir mortalidade pela doença
FOTO: André Henriques | DGABC

Atualizada às 19h
A Prefeitura de São Bernardo anunciou nesta quinta-feira (20) a ampliação da faixa etária para realização da mamografia, no processo de rastreio de câncer de mama. Inicialmente, apenas mulheres de 50 a 69 anos poderiam fazer o exame a cada dois anos, agora as pacientes de 40 a 74 anos também estão aptas para realizar o procedimento, que faz o rastreio do câncer de mama. A expectativa da gestão municipal é atender a partir de segunda-feira (24) cerca de 83 mil pessoas nesse intervalo de idade.
Com a medida, o município são-bernardense se torna o primeiro do País a ampliar a idade máxima (74 anos) para realização da mamografia, segundo informou o Paço. Em relação à idade mínima, a cidade de Campinas já havia ampliado o público-alvo para 40 anos, porém, mantinha o procedimento para pacientes até 69 anos.
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O rastreamento, realizado pela mamografia, é uma estratégia de detecção precoce utilizada em políticas públicas para reduzir a mortalidade por câncer de mama. A ampliação é recomendada pela SBM (Sociedade Brasileira de Mastologia), pela Febrasgo (Associações de Ginecologia Obstetrícia) e pelo CBR (Colégio Brasileiro de Radiologia). Segundo a Prefeitura, São Bernardo conta com cerca de 102.700 moradoras entre 40 e 74 anos, das quais mais de 83.600 são usuárias do SUS (Sistema Único de Saúde), mais de 80% das mulheres nessa faixa etária. As moradoras podem procurar a UBS (Unidade Básica de Saúde) de referência para agendamento de consulta com ginecologista e ou médico da família e realização do exame, que terá periodicidade bianual, a menos que haja alguma alteração no resultado do exame. A ampliação do público-alvo em São Bernardo foi implementada por meio de decreto assinado pelo prefeito Marcelo Lima (Podemos) em evento realizado nesta manhã no Hospital da Mulher, no bairro Nova Petrópolis. A cerimônia também contou com a presença da vice-prefeita, Jessica Cormick, do secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, da secretária da Mulher, Sandra do Leite, da diretora técnica da unidade hospitalar, Adlin de Nazaré, entre outras autoridades. “São Bernardo será a primeira cidade a iniciar esse trabalho junto às mulheres no Brasil. É um momento histórico para o município e também um exemplo para o País, que essa iniciativa seja replicada em outras localidades. A doença, que muitas vezes leva a óbito, poderá ser tratada e curada porque foi identificada a tempo. Enquanto o governo federal não reconhece essa faixa etária, e consequentemente não repassa recursos, todo o investimento será realizado pela rede municipal”, afirmou Marcelo Lima durante o evento.
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“O secretário de Saúde de São Bernardo, Jean Gorinchteyn destacou que a ampliação do procedimento é uma medida para diminuir a taxa de mortalidade pelo câncer de mama. “Entre a vida e a doença, quando escolhemos um dos lados, podemos seguir por caminhos que infelizmente podem não terminar bem. No Brasil, 25% das mulheres com câncer acima dos 70 anos e abaixo dos 50 anos não são diagnosticadas, ou seja, elas recebem o diagnóstico de forma tardia, já em estádios avançados. Elas não tiveram o direito de fazerem a mamografia porque não estava disponível na rede pública, apenas nas unidades privadas”, alertou o gestor.Rosemar Macedo Sousa Rahal, presidente da Comissão Especializada em Mastologia da Febrasgo, exaltou a medida adotada pelo município e rebateu o INCA (Instituto Nacional de Câncer), que recomenda a mamografia em mulheres entre 50 a 69 anos. “Hoje, 25% das mulheres do Brasil têm câncer de mama entre 40 e 50 anos. Então se assumirmos a postura do INCA que é postergar o rastreamento para 50 anos, estaremos negligenciando essas pacientes. Isso é muito sério, 80% da população brasileira é subdependente do SUS e o tratamento de uma paciente de câncer de mama na rede pública é diferente da particular. Na rede privada, a paciente chega em estágio avançado, ela terá acesso a drogas que não tem no SUS. Então para uma brasileira ter a mesma chance de sobreviver a um câncer de mama, ela sendo SUS ou privada, ela tem que chegar numa fase inicial”, explicou a especialista. Mamófrago No início do mês, o Hospital da Mulher recebeu o primeiro mamógrafo da unidade, equipamento que vai ampliar a capacidade de atendimentos que hoje são realizados pela Carreta da Mamografia. Segundo a prefeitura, os atendimentos devem aumentar em até 2.000 ao mês.
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