Artigo A saúde mental dos brasileiros está em colapso, e os números mostram uma realidade alarmante. Somente em 2024, quase meio milhão de trabalhadores precisaram se afastar de seus empregos devido a transtornos mentais, como mostrado em reportagem do Diário na seção de Economia da segunda-feira. O número de licenças por ansiedade cresceu mais de 400% na última década, um reflexo claro de um problema que não pode mais ser ignorado.
Por trás dos números, há pessoas que lutam diariamente, muitas vezes sozinhas, contra a depressão e a ansiedade. Além disso, o burnout tem se mostrado um problema crescente no ambiente laboral, embora não tenha sido incluído nesse levantamento, pois sua real dimensão ainda é subestimada devido à dificuldade no diagnóstico.
Enquanto isso, o poder público continua incapaz de oferecer atendimento psicológico e psiquiátrico necessário para prevenção e tratamento. O adoecimento dos trabalhadores sobrecarrega a Previdência, aumenta os custos com assistência médica e reduz a eficiência no ambiente corporativo.
O poder público precisa tratar a saúde mental com seriedade. Isso significa ampliar o acesso ao atendimento no SUS (Sistema Único de Saúde), fortalecer a rede de atenção psicossocial e garantir que os trabalhadores tenham ambientes laborais mais saudáveis e humanos. Empresas devem ser incentivadas a adotar programas de bem-estar e prevenção, enquanto os governos devem liderar campanhas para combater o estigma e a precarização.
Nenhuma pessoa deve ser forçada a escolher entre sua saúde ou seu ganha-pão. O cuidado com a mente precisa ser prioridade na agenda pública. Um País que ignora essa realidade não apenas compromete a qualidade de vida da sua população, mas também prejudica seu próprio desenvolvimento econômico. É hora de o poder público não apenas reconhecer a gravidade do problema, mas agir.
Alex Manente é deputado federal, líder do Cidadania no Congresso Nacional e presidente estadual do partido em São Paulo.
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