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Silêncio suspeito

19/03/2025 | 09:21
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O silêncio dos deputados estaduais e federais ligados à indústria química diante das reiteradas queixas da população sobre os impactos da Braskem no Polo Petroquímico de Capuava é, no mínimo, desconcertante. Moradores das imediações relatam dificuldades respiratórias, irritações na pele e transtornos diversos, além dos incômodos constantes provocados pelo barulho das operações. O que se observa, no entanto, é uma postura de omissão daqueles que deveriam atuar como mediadores entre as demandas sociais e as forças produtivas. Não se trata de debate novo: há três décadas, a endocrinologista Maria Angela Zaccarelli Marino vem conduzindo estudos associando resíduos químicos emitidos pelo polo ao desenvolvimento de enfermidades cardiovasculares, pulmonares e reprodutivas.

Diante do acúmulo de evidências científicas e relatos cotidianos, a inércia de representantes eleitos soa como desrespeito aos cidadãos expostos aos riscos. A ausência de manifestações públicas por parte dessas lideranças políticas indica alinhamento preferencial aos interesses empresariais em detrimento da saúde coletiva. Não há registros de audiências recentes para discutir o impacto ambiental da unidade industrial, tampouco propostas legislativas que imponham maior rigor na fiscalização. Enquanto isso, os efeitos da contaminação persistem e colocam em xeque a qualidade de vida na região. Estudos como os realizados por Maria Angela deveriam servir de base para medidas concretas, mas seguem ignorados. O mínimo esperado de parlamentares é que cobrem transparência nos laudos ambientais.

Se há disposição para defender benefícios tributários à indústria, deveria haver o mesmo empenho para responder às crescentes denúncias sobre os impactos à saúde. Não há justificativa plausível para o descaso com um problema de tamanha relevância. A comunidade precisa de respostas, ações e compromissos efetivos, não de evasivas e discursos protocolares. O setor químico desempenha papel estratégico na economia, mas isso não pode servir de salvo-conduto para que empresas operem sem o devido controle social. A omissão dos parlamentares ligados ao setor precisa ser questionada. Quem deveria agir como fiscalizador não pode se portar como cúmplice da negligência. O que se espera, a esta altura, é posicionamento claro e atuação responsável, sob risco de que o silêncio seja compreendido como conivência.

DGABC



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