Nacional Titulo Artigo

Quando as empresas de ônibus falam...

Adamo Bazani
17/03/2025 | 10:08
Compartilhar notícia
 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Diário do Transporte trouxe em primeira mão na última semana imagens e relatos de empresas de ônibus na cidade de São Paulo que mostraram dezenas de coletivos movidos à eletricidade e diferentes garagens com infraestrutura pronta, mas que nada pode ser operado porque, segundo as viações, a distribuidora de energia Enel não fez sua parte e não realizou as ligações e as adaptações necessárias na rede. Em poucos dias, na verdade, horas, diversos colegas da imprensa geral repercutiram, alguns inclusive com nossas entradas ao vivo direto no ar, como na Rádio Bandeirantes e na Rádio Capital, e citações como no Diário. 

Apenas os tais blogs de ônibus, de busólogos e transportes, de ferrofãs e trilhos etc se eximiram por, talvez, rivalidades por parte de blogueiros, mas estas páginas têm pouca relevância. Até mesmo o prefeito Ricardo Nunes comentou em entrevista o assunto e fez postagens em suas redes sociais oficiais. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) também se manifestou. Foram gerados procedimentos no Ministério Público, Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), da Câmara Municipal, entre outros. Mas tudo isso só foi possível porque garagens abriram as portas para a reportagem do Diário do Transporte e toparam falar. Isso é prova de que o setor de transportes precisa parar de ficar reclamando dentro das bolha e se posicionar, mostrar o que ocorre no “intra-garagem”. Até então, pelas quebras de ônibus velhos e sucateamento dos serviços em decorrência do processo atrapalhado da eletrificação, as empresas só estavam tomando paulada da opinião pública, do cliente (passageiro), dos formadores de opinião.

Hoje em dia, apanhar quieto, é confissão de culpa, mesmo não sendo culpado. Muito muito mais que “mostrar o seu lado e se justificar”, ao falarem, as empresas de ônibus contribuíram para o interesse do cidadão. Ao noticiar o tema, o Diário do Transporte ajudou num debate que mexe com o interesse do cidadão em geral. A eletrificação vai contar com desembolsos de dinheiro público. A prefeitura obteve sinal verde para obter junto a instituições como BNDES, Caixa, entre outros, financiamentos na ordem de R$ 5,75 bilhões.

DGABC

Pelo modelo da Capital paulista, as empresas de ônibus pagam o valor de um modelo a diesel e o poder público complementa o restante para completar o preço do elétrico, que é cerca de três vezes mais caro. Assim, em grosso modo, 1/3 sai da forma convencional de compra de ônibus e 2/3 são bancados pelo poder público. A questão é que, como não está havendo o funcionamento pleno destes ônibus, as empresas de transportes compram, não recebem e as fabricantes não são pagas. Mas uma hora a conta vai chegar.

Como a eletrificação não avança, a SPTrans, ampliou o limite de idade dos ônibus atuais a diesel de 10 anos para 13 anos. São veículos que apresentam menos conforto para o cidadão que paga R$ 6,5 bilhões de subsídios ao sistema de transportes em por meio da arrecadação da prefeitura, além de R$ 5 a passagem. Estes ônibus mais antigos não possuem ar-condicionado, fazem mais barulho, sacolejam mais, trepidam mais. Estes coletivos também estão mais sujeitos a quebras por serem velhos e de uso intenso e severo, como é uma operação de ônibus urbanos, ainda mais em periferias. Assim, em vez de continuar vendo a imprensa e os jornalistas como “inimigos”, por que as empresas de ônibus não são francas com a sociedade e não falam o que acham o que precisa ser dito.


Adamo Bazani é jornalista especializado em transportes e editor do portal Diário do Transporte.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;