Dor de cabeça Famílias do Grande ABC têm reduzido o consumo, enquanto estabelecimentos evitam repassar os preços
Denis Maciel/DGABC

Começar o dia com um cafezinho faz parte da cultura do brasileiro, mas esse hábito está ganhando adaptações nas casas e exigindo jogo de cintura dos proprietários de padarias, bares e restaurantes diante da alta crescente do preço do produto nas últimas semanas.
De acordo com a última pesquisa da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), o pretinho básico foi um dos grandes vilões do aumento da cesta básica em fevereiro, em comparação com o ano passado. O pacote de 500 gramas subiu em média 60,46%, de acordo com a pesquisa, sendo vendido por R$ 25,73.
O jeito é se adaptar. A supervisora de vendas Elisangela de Sousa Santos, 43 anos, moradora de São Bernardo, optou por comprar menos pacotes e mudar a rotina de consumo.“Eu tinha o hábito de fazer café todos os dias de manhã e à noite. Agora, faço mais à noite, quando meu esposo chega, porque é quando acabamos consumindo juntos. Pela manhã, se faço, é uma quantidade bem pequena”, disse.
A rotina dos fins de semana também precisou passar por adaptações. “Tínhamos o hábito de, depois da missa, tomar um cafezinho na padaria, mas com esse aumento não conseguimos mais manter essa rotina”, lamentou ela. “Às vezes, trocamos o café por suco ou chá, pra economizar”, disse.
Com uma rotina de trabalho intensa e que exige muito de sua energia, o coordenador técnico de processos Marcelo Henrique Kawashima, 56, disse que o preço do café nas prateleiras é um absurdo, e tentou migrar para as marcas mais em conta. “A gente tentou substituir por outra marca, mas acabou voltando para a que estamos acostumados, mesmo pagando mais caro”, conta o também morador de São Bernardo. Segundo ele, apesar do preço elevado, a qualidade do produto muda muito nas marcas mais baratas e o café é um hábito importante e essencial para dar conta de sua rotina de trabalho.
Nas padarias, o balcão dedicado ao café continua lotado, mas não porque as pessoas se conformaram com o aumento, e, sim, porque muitas delas ainda não fizeram o repasse do aumento do produto para não espantar a clientela. “O cafezinho continua sendo um grande chamariz de clientes”, esclareceu o gerente Anilson Santos, 43, da Padaria Central, em Santo André.
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