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O legado do voto feminino

Renata Guilherme
14/03/2025 | 09:47
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Quase um século após a conquista do direito ao voto pelas mulheres no Brasil, muitos voos foram alcançados. A presença feminina cresceu na política, no mercado de trabalho e na alta liderança. Atualmente, 37% dos cargos de liderança sênior no Brasil são ocupados por executivas, segundo a 20ª edição do estudo Women in Business: Pathways to Parity, da consultoria Grant Thornton, divulgado em março do ano passado. Esse índice, porém, sofreu uma leve redução em relação a 2023, quando era de 39%. O que mostra que, apesar do crescimento, ainda há barreiras a serem superadas.

Faz sentido. Um estudo da Lean In e McKinsey aponta que, para cada 100 homens promovidos a cargos de gerente, apenas 65 mulheres recebem a mesma oportunidade. Essa diferença estrutural ao longo da carreira contribui para a menor representatividade feminina no topo das organizações. Inclusive, outra pesquisa do Boston Consulting Group, ressalta que companhias com maior diversidade de gênero em posições de liderança são 19% mais inovadoras e obtêm receitas 9% superiores às concorrentes com menor protagonismo feminino.

O acesso à educação também é essencial para ampliar as oportunidades das mulheres no mercado. Em 2024, elas representaram 60,59% dos inscritos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), reafirmando sua busca por qualificação e desenvolvimento de carreira. Mas não se trata apenas de presença, e sim de resultados: em 2023, 76% dos candidatos que alcançaram a nota máxima na redação eram mulheres. Esse desempenho evidencia a capacidade feminina, ao mesmo tempo em que reforça o impacto positivo da inclusão de mulheres em cargos estratégicos para o crescimento sustentável das organizações. 

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Mais do que uma questão de justiça social, a presença feminina no comando tem um impacto direto no crescimento econômico e no desenvolvimento sustentável. As empresas precisam rever seus processos internos e adotar práticas que incentivem em todas as áreas. Assim como a conquista do voto feminino representou uma virada histórica, a equidade no mercado de trabalho deve ser encarada com a mesma urgência. 

A luta por direitos não terminou e, assim como foi necessário mobilização para garantir o sufrágio feminino, alcançar a igualdade profissional exige mudanças estruturais e esforços contínuos. Dessa forma, poderemos alcançar um cenário verdadeiramente igualitário, transformar o futuro das próximas gerações e honrar o legado daquelas que lutaram antes de nós.

Renata Guilherme é diretora de customer experience na Actionline.




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