Setecidades Titulo DINHEIRO PÚBLICO PARADO

Ônibus elétricos não podem circular por falta de energia

Em São Paulo, 80 veículos estão parados enquanto população utiliza frota defasada; prefeito da cidade acusa Enel, mas empresa diz que está no prazo

13/03/2025 | 22:08
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André Henriques/DGABC
André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Oitenta ônibus elétricos estão prontos e estacionados, não podendo circular na capital paulista por ausência de uma rede de energia adaptada, de acordo com declaração do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). São mais de R$ 240 milhões de dinheiro público parados – o custo de cada ônibus elétrico é cerca de R$ 3 milhões –, enquanto a população utiliza veículos defasados, com mais de 10 anos de uso. Apesar da Prefeitura acusar a Enel, a companhia alega estar dentro dos prazos.

Ao portal Diário do Transporte, o prefeito declarou: “A Enel ainda não fez a ligação de energia para carregar os ônibus. Nós estamos com 80 ônibus que estão prontos para ir para as ruas e não conseguem ter carregamento. A Enel fala que está no prazo, mas temos muitos casos de problemas com a Enel, que não faz as ligações e não atende as demandas, prejudicando a população. O que temos feito são muitas reclamações na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e no TCU (Tribunal de Contas da União), porque o contrato, concessão e fiscalização são do governo federal, para eles tomarem uma atitude. Inclusive, pedimos para o Procon também fazer a autuação.”

A Enel informou ao Diário que todos os contratos com as operadoras que solicitaram soluções de energia à Enel estão dentro do prazo para execução da obra, a contar da data de assinatura entre as partes. “O contrato com as empresas é assinado após a apresentação de projeto e documentação necessários para a viabilidade da obra. Após toda a regularização por parte dos operadores é que ocorre a assinatura do contrato. A distribuidora tem realizado reuniões semanais com os operadores, sempre com o acompanhamento da SPTrans. A Enel vem trabalhando junto aos operadores, analisando cada uma das possíveis soluções, que podem variar de acordo com aspectos técnicos, econômicos e a definição dos operadores”, declarou em nota.

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A companhia disse ainda que, em 2024, entregou obras de infraestrutura para abastecimento de energia para seis operadoras de ônibus, em uma demanda total de quase 9 MW (Megawatts). Nos dois primeiros meses de 2025, a distribuidora concluiu obras para outras oito operadoras, somando cerca de 17 MW, quase o dobro da demanda de energia entregue no ano passado. Para este ano, a Enel afirmou estar trabalhando para entregar um total de 45.7 MW de energia para operadoras de ônibus.

TROCA DA FROTA

A Lei 16.802/2018 determinou que ônibus movidos a diesel não deveriam mais circular por serem poluentes e que até 2028 pelo menos 50% da frota precisa ser substituída por veículos elétricos, e 100% até 2038. Entretanto, a Justiça de São Paulo suspendeu, em fevereiro deste ano, de forma liminar (provisória) a lei. A nova determinação mantém o prazo a troca de 100% da frota até 2038, mas excluiu o prazo intermediário de 50% até 2028. 

O prefeito Ricardo Nunes alega que não é possível garantir essa substituição gradual porque a Enel não teria condições de garantir o fornecimento de energia e comparou a quantidade CO2 (dióxido de carbono) que poderia ter parado de ser emitida na atmosfera na troca dos ônibus a diesel pelos movidos a eletricidade com a plantação de árvores. Ele disse, ao Diário do Transporte, que cada ônibus que deixa de poluir o meio ambiente equivale a 6.400 árvores plantadas, ou seja, os 80 veículos parados representam 512 mil árvores a menos.




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