Saúde Estado confirmou a primeira contaminação de um paciente no Brasil com o vírus Clado 1b, manifestação considerada mais grave da doença
FOTO: Reprodução

No Grande ABC, foram registrados, até a última quarta-feira (12), nove casos de mpox em 2025, de acordo com o painel da secretaria de Estado da Saúde – os dados não são especificados por município. Após surto em 2022 e oscilação nos anos seguintes, a doença voltou a preocupar na última sexta-feira (7), devido à confirmação do governo estadual da primeira contaminação no Brasil de paciente com o vírus denominado Clado 1b, cuja manifestação é mais grave de todas.
A pessoa infectada é uma mulher de 29 anos, que mora na Região Metropolitana de São Paulo (a Pasta não informou a cidade), e está internada na Capital, em isolamento. Seu estado de saúde é considerado estável e ela deve receber alta ainda nesta semana. A paciente teria tido contato com um familiar do Congo, país africano onde a doença é considerada endêmica, ou seja, ocorre com frequência desde a década de 1970.
O Ministério da Saúde informou que monitora a situação e enviou uma equipe técnica a São Paulo, que participou na terça-feira (11) de reunião com representantes do governo estadual para tratar sobre a vigilância da nova cepa da mpox no Estado. Os profissionais enviados pelo governo federal devem auxiliar os que trabalham localmente na investigação epidemiológica detalhada, além de avaliar as medidas de controle adotadas para definir estratégias conjuntas para resposta ao caso.
Até essa confirmação, só o tipo 2 do vírus tinha sido identificado no Brasil. O primeiro caso foi registrado no dia 9 de junho de 2022, em um homem de 41 anos, residente da Capital, com histórico de viagem para Portugal e Espanha, países mais afetados pela mpox na época. No Grande ABC, a primeira notificação ocorreu 16 dias depois, em 25 de junho, em Santo André.
Na época, o paciente, 36 anos, apresentou os primeiros sintomas da doença após retornar de viagem à Europa e testou positivo para o vírus em hospital privado na Capital. O segundo registro ocorreu no mês seguinte, em 4 de julho, em São Bernardo, com um paciente sem histórico de viagem ao Exterior, como os demais casos confirmados no período.
Em 2022, a região contabilizou 220 casos de mpox e nenhum óbito. Já o Estado registrou 4.283 notificações e três mortes em decorrência da doença. Nos anos seguintes, o Grande ABC contabilizou dez ocorrências em 2023 e 68 no ano passado. Em São Paulo, foram 1.126 em 2024 e 155 no período anterior – sem nenhuma morte no intervalo.
NESTE ANO
Dos nove contaminados no Grande ABC (todas do tipo 2), cinco foram pacientes femininos e quatro masculinos. Pessoas entre 40 e 44 anos foram as mais infectadas, com três registros (veja ocorrências por idade na tabela acima).
O infectologista Igor Marinho, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explicou que a nova cepa (Clado 1b) detectada recentemente no Brasil é uma subvariante do Clado 1 e que apesar do sinal de alerta, não há motivo para pânico. Principalmente, porque as primeiras evidências apontam que seja um caso importado, já que a paciente tinha contato com familiar do Congo.
“O Clado 2, predominante na pandemia de mpox de 2022, teve mortalidade baixa. Já o Clado 1b exige mais atenção, pois pode levar a quadros críticos, especialmente em populações vulneráveis. A detecção precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar óbitos, assim como a possibilidade de adotar a vacinação de grupos mais expostos para proteger contra a doença”, ressaltou.
O especialista destacou ainda que o tratamento é feito basicamente com suporte clínico, controle dos sintomas e manejo das complicações. “Em casos mais graves ou que ocorram em pacientes com imunidade prejudicada, é possível usar antivirais que ajudam o corpo a se livrar da doença.
TRANSMISSÃO
Segundo a secretaria de Estado da Saúde, a transmissão de mpox entre seres humanos ocorre, principalmente, por meio de contato pessoal próximo com lesões na pele, fluidos corporais, sangue ou mucosas de pessoas infectadas. O compartilhamento de objetos recentemente contaminados com fluidos ou materiais de lesões também pode transmitir a doença. Em caso de suspeita, a recomendação é procurar uma unidade de saúde para avaliação.
Conhecida pelas lesões na pele, a mpox também apresenta outros sintomas, como febre, adenomegalia (inchaço nas glândulas), dores musculares, fraqueza, dor de cabeça e dor nas costas.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.