Saúde Foram 25 casos registrados em 2024; Sociedade Brasileira de Hansenologia diz que doença é subdiagnosticada e que Brasil vive endemia oculta
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O Grande ABC registrou no ano passado 25 casos de hanseníase, conhecida também como lepra, de acordo com números do Ministério da Saúde, o que representa uma média de dois casos por mês. Em relação a 2023, quando foram computados 35 casos, houve uma queda. Porém, para a Sociedade Brasileira de Hansenologia, o Brasil vive uma endemia oculta, já que a doença é subdiagnosticada e já deveria ter sido eliminada.
No País foram 27.409 diagnósticos no ano passado e um total de 979.082 registros desde 2001. Em 2025, até fevereiro, foram 604 casos no Brasil. No Grande ABC, este ano teve apenas um registro, em Santo André, e o acumulado desde 2001 soma 1.786. O hansenologista e presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia, Marco Andrey Cipriani Frade, diz que ainda há milhares de casos sem diagnóstico e tratamento. “São pessoas que estão transmitindo a doença, e muitas sendo tratadas por outras enfermidades, como artrite, artrose, fibromialgia, além de um percentual alto de diagnósticos tardios de hanseníase, quando o paciente já apresenta sequelas irreversíveis”, alerta.
A hanseníase é uma doença neural, pois o bacilo de Hansen agride e provoca inflamações nos nervos e, quando a doença mostra sinais na pele, é porque está em estágio avançado. O bacilo age muito lentamente e o paciente, com o tempo, começa a perder a sensibilidade em algumas partes do corpo e pode perder a força nas mãos e até nos pés. O diagnóstico é clínico e o tratamento feito gratuitamente com um coquetel de antibióticos disponível no SUS (Sistema Único de Saúde). Com a medicação, o paciente deixa de transmitir o bacilo logo após iniciado o tratamento.
Na região, o paciente pode encontrar atendimento nas UBSs (Unidade Básica de Saúde) das sete cidades. A Prefeitura de Santo André informou ao Diário que, para diagnosticar precocemente a doença, “realiza campanhas e capacitações direcionadas aos colaboradores da rede para evitar o diagnóstico tardio”. Além do tratamento farmacológico, o município oferece reabilitação física, avaliação oftalmológica, atendimento psicossocial e também acolhimento com equipe multidisciplinar.
PRECONCEITO
Apesar de ainda haver necessidade de evolução, hoje há tratamentos eficazes, mais informação e menos preconceito contra a doença, mas nem sempre foi assim. O morador aposentado de São Bernardo, Reinaldo Matos Carvalho, 75 anos, descobriu a hanseníase aos 8, quando ainda havia muito estigma sobre pessoas com lepra. Ele viveu a experiência de ser isolado em um hospital colônia, de 1968 a 1980, em Manaus, sua terra natal, devido ao preconceito que existia na época em relação ao contágio da doença. Em 1983, liberto do isolamento, veio morar na cidade são-bernardense.
“Foram 12 anos longe da sociedade, sendo tratado com preconceito por falta de informação. Aprisionar pessoas em hospitais colônia foi o maior erro que cometeram. É o amor que cura. Hoje me dedico a levar informação às pessoas de que a hanseníase tem cura, os remédios de hoje em seis meses te curam e você não transmite. Na minha época, precisei de 25 anos de medicação e fiquei com sequela em minha mão esquerda”, conta o aposentado, que faz parte, há 43 anos, da Morhan (sigla em inglês de Movimento de Reintegração dos Acometidos pela Hanseníase), realizando palestras e representando a pessoa com lepra no Ministério dos Direitos Humanos.

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