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Mulheres superam câncer de mama e ajudam outras pacientes

Neste Dia da Mulher, são-bernadenses que tiveram tipos agressivos da doença promovem desfile para aquelas que ainda estão em tratamento

08/03/2025 | 08:56
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Três mulheres são-bernardenses que têm em comum a superação de tipos de câncer de mama agressivos, a confeiteira Andreia Leite da Silva, 38 anos, a enfermeira e professora Luciane Morelis Amorim, 45, e a dona de casa Maria do Carmo Borges Abrante, 58, hoje ajudam outras mulheres a superarem o difícil momento pelo qual estão passando. Elas organizaram, para este Dia Internacional da Mulher, um desfile especial, no evento Passarela da Vida, que acontece, a partir das 14h, no Paço Municipal de São Bernardo, com o intuito de incentivar e empoderar moradoras da região que ainda estão em tratamento da doença. 

A ideia do desfile foi desenvolvida por Andreia, que fundou o Projeto Sacolinhas de Amor, que entrega kits para mulheres vítimas de câncer em situação de vulnerabilidade. As sacolinhas possuem itens como turbante e maquiagem, entre outros que estimulam a autoestima das pacientes. A ONG doa ainda cesta básica e medicações. “Muitas delas, além da doença, enfrentam dificuldades financeiras, a ponto de passar o dia sem comer, e não podem comprar os remédios do tratamento, nem têm apoio familiar”, conta. 

O projeto iniciou quando Andreia ainda tratava um câncer de mama raro, descoberto no fim de 2023. “Comecei a sentir uma dor muito forte, mas ao invés de formar caroços, era em formato de fios. Os exames não detectaram nada, mas minha mama começou a ficar rígida e inchada. A inflamação foi espalhando, pegou pescoço e pulmão, e a dor piorava. Passei a ter dificuldade para respirar e sentia que tinha água no meu pulmão e que eu afogava ao puxar o ar”, relata. Ela decidiu então realizar um exame específico, chamado pet-scan, que identifica alterações da atividade celular. O procedimento apontou um tipo de câncer raro e agressivo, de acordo com Andreia, conhecido como triplo negativo, já com 90% de avanço, que afetou também as axilas e a pleura dos pulmões. Além disso, descobriu que tem a mutação genética BRCA-1, que indica alta probabilidade de desenvolver a doença novamente em outros órgãos, por isso, vai realizar uma cirurgia de retirada dos ovários. “Perdi minha mãe, avó e tia para o câncer. Eu acredito que minha cura ocorreu por um milagre e decidi dedicar minha vida a ajudar outras mulheres a superarem a doença”, enfatiza.

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Assim como Andreia, Luciene, que também é docente da Faculdade de Medicina do Grande ABC, não teve logo de início a identificação da doença nos exames, mas seus conhecimentos na área a ajudaram a descobrir precocemente um câncer de mama também bastante agressivo, o HER2-positivo, que avança rapidamente e tem alto risco de metástase e recidiva, conforme explica a enfermeira. “Em 2017, quando estava amamentando minha filha, na época com três anos, senti que apareceu algo que eu não tinha na mama. Não era um nódulo, mas um espessamento em formato de ‘cobrinha’. Sentia também queimação. Busquei um médico, mas a mamografia indicou que estava tudo normal, só que eu sabia que tinha algo e insisti com minha ginecologista. Fiz uma ressonância quando finalmente foi detectado o câncer de mama”, conta. 

O diagnóstico precoce fez toda diferença e Luciane hoje ajuda a fortalecer outras mulheres que não têm o mesmo conhecimento. “Se eu voltasse somente um ano depois como é recomendado, já estaria em estágio avançado com metástase. Por isso, é importante conhecer seu corpo. Eu faço palestras contando minha história e ensino como identificar precocemente pelo autoconhecimento de seu corpo”, afirma. 

Luciane atua ainda como colaboradora da Câmara Técnica de Saúde da Mulher do Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo), fazendo ações de orientação. 

Além de realizar palestras, ela se juntou a Andreia nos projetos Passarela da Vida e Sacolinhas do Amor, assim como Maria do Carmo, que descobriu o câncer de mama em exames preventivos de rotina. “Descobri que estava com dois nódulos grandes, estava com BI-RADS, e precisaria fazer a retirada radical da mama. Fiz a cirurgia em 2015 e coloquei uma prótese, que depois de oito anos foi rejeitada pelo meu corpo. Minha mama ficou dois meses aberta, chegou a necrosar o osso da costela. Foi um processo difícil, mas eu superei. Hoje eu vivo de forma muito mais intensa. Quando você é curada e recebe uma nova chance, você quer viver a vida”, diz ela, que faz muitas atividades físicas e participa de corridas, além de cuidar de uma filha de 16 anos com síndrome de Down. 




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