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São Vicente Curandeiro A morte há 100 anos. Passam as gerações. E ele continua lembrado. Venerado. Com uma oração.

São vários registros, dois dos mais confiáveis: a certidão obtida por “Memória” junto ao Cartório de Registro Civil de São Caetano e a nota publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo no dia seguinte à partida do curandeiro

09/03/2025 | 08:00
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Mesmo assim, há controvérsias: segundo o cartório de São Caetano, Vicente Rodrigues Vieira faleceu em 9 de março de 1925, às 6h; na nota do Estadão é informado que São Vicente faleceu às 13h, em São Paulo, “após longos padecimentos”.

O Jornal de São Bernardo de 1925 abre manchete em torno da morte de Vicente Rodrigues Vieira, com foto e em primeira página.

O curandeiro Vicente foi sepultado no dia seguinte à sua morte no Cemitério de São Caetano, hoje mais conhecido como Cemitério de Vila Paula. Está sepultado na quadra 10, jazigo 83. Natural de Santo Amaro. Veio para São Caetano entre 1906 e 1909. Não temos a data exata do seu nascimento. Faleceu aos 52 anos.

DGABC

A ÚLTIMA PESQUISA

O professor e pesquisador Virgílio Antiqueira visitou, há poucos dias, o túmulo de Vicente Rodrigues Vieira, e constatou:

O que percebi é que o local continua da mesma forma, sem nenhuma melhoria e sem limpeza adequada. 

Achei interessante que a foto clássica dele continua no centro do túmulo, com a de alguns familiares. 

Outro ponto é que há uma placa instruindo colocar as velas atrás do túmulo e havia velas no local (não estavam acesas), um sinal de que ainda há pessoas que por lá passam e fazem seus pedidos.

REGISTROS

1 - Vicente Rodrigues Vieira é capa da revista Raízes nº 68, de 2024, com um levantamento pormenorizado feito pelo professor Virgílio Antiqueira.

2 – No mesmo 2024, grupo de professores foi a campo. Estudou a história de São Vicente. Filmou depoimentos. E “denominou” simbolicamente a antiga Rua do Curandeiro, no limite de São Caetano com Santo André.

3 – Entre os depoimentos aparece o do historiador Renato Alencar Dotta. Ele e o pai, Laércio Dotta, reorganizam a história familiar na qual aparece Vicente Rodrigues Vieira.

4 – Renato Dotta é ouvido no trabalho desenvolvido pelos professores e arte-educadores Milene Valentir, Diga Rios e Diego Urbaneja. Os três professores estão no DGABC-TV e nas plataformas do jornal na série “A Cidade Esquecida”, da qual faz parte Vicente Rodrigues Vieira.

5 - Pelo menos desde 1991 Vicente Rodrigues Vieira tem a sua história contada aqui em Memória. Ele é o protetor espiritual desta página.

6 - Também o nosso livro “Migração e Urbanização. A presença de São Caetano na região do ABC” reúne informações sobre Vicente Rodrigues Vieira. O livro é dedicado a ele.

7 - Entre as fotos feitas por Virgílio Antiqueira no túmulo de Vicente aparece a de Cecília Rodrigues Vieira (1931-2010), neta de Vicente, uma das informantes sobre a vida do avô a esta página Memória.

8 - As informações de Cecília foram publicadas em “Memória” e em artigo na revista “Raízes”.

Cf. Imagens dos Rodrigues Vieira. Raízes, ed. 11, pp.27-29, julho de 1994.

  

RELAÇÕES PÚBLICAS

Vicente Rodrigues Vieira atendia a levas de peregrinos, de vários pontos do Brasil e do Exterior. Por isso foi chamado, e com razão, de o primeiro relações públicas da cidade de São Caetano.

O bairro rural em que morava, ao ser urbanizado, recebeu o nome de bairro Saúde. Por ali passava o trenzinho dos Pujol, loteadores de antigos bairros do Grande ABC. Hoje o antigo bairro Saúde é absorvido pelo bairro Santa Maria, entre Santo André e São Caetano.

A PRESENÇA DA IGREJA

A Cúria Metropolitana de São Paulo guarda um rol de documentos sobre Vicente Rodrigues Vieira, confiado à Memória pelo historiador Wanderley dos Santos. 

O curandeiro Vicente tem sua foto publicada na primeira página desta coletânea. Vicente aparece sem chapéu, com a mão direita em sinal de bênção.

Junto à foto, a Oração a S. Vicente, que Memória publica neste 9 de março, dia do centenário da morte de um homem bom, com a arte do colega Paulo César Nunes.

Vicente Rodrigues Vieira (1872-1925)

9 de janeiro

Clementíssimo Jesus, que suscitastes na vossa Igreja, na pessoa do Bem-Aventurado Vicente um apóstolo da vossa ardentíssima caridade, espalhai o mesmo ardor de caridade sobre vossos servos, para que por vosso amor deem com a melhor vontade aos pobres o que possuem, demais ainda, se deem a si mesmos.

Vós, que com Deus Padre viveis e reinais na unidade do Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Assim seja.

NOTA – Ao pé da Oração a São Vicente, a orientação: “Colem atrás das portas”. E o nome do lugar: São Caetano. 

Ilustração: Cúria Metropolitana de São Paulo

Pesquisa: Wanderley dos Santos




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