A folia segue Cortejo carnavalesco pela região central do município celebrou a diversidade e a ocupação de espaços pela comunidade
FOTO: André Henriques/DGABC

A primeira edição do Bloco da Adega, em São Bernardo, uniu diversão e conscientização nesta segunda-feira (3) de Carnaval. Com cores, alegria e muita música, o cortejo carnavalesco, com cerca de 200 pessoas, buscou resgatar a memória da comunidade LGBTQIA + do município.
O bloco foi criado neste ano, após a Adega Paços do Vinho, popularmente conhecida como ‘Bar Adega’ encerrar suas atividades, por questões administrativas, no fim do ano passado. Desde a sua fundação, no início de 2000, o espaço era utilizado como ponto de encontro da comunidade LGBTQIA + de São Bernardo, principalmente na madrugada, após a saída de baladas.
Segundo a organização do bloco, o fechamento do bar, que também funcionava como um karaokê, deixou uma “lacuna significativa" e levantou questões importantes, como para onde vão as pessoas que frequentavam esse espaço?
O desfile começou por volta das 18h e segue até às 21h, e percorreu trechos das ruas Ernesta Pelosini, Santa Filomena e Marechal Deodoro, locais onde ficavam outros dois estabelecimentos frequentados por membros da comunidade que também foram fechados.
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Um dos criadores do bloco, Felipe Leonardo dos Santos, 34 anos, psicólogo e educador social, disse que esses espaços comerciais são além de pontos de convivência, mas também símbolos de resistência cultural e social.
“Decidimos transformar celebração em ato de resistência. As pessoas estão aqui para cantar e celebrar a vida, pois sabemos o quão violento o mundo é com a nossa comunidade. Mais do que um evento de Carnaval, o Bloco da Adega é um espaço de memória, acolhimento e afirmação, reforçando que a história da comunidade LGBTQIA + de São Bernardo não será esquecida”, reforçou Santos.
Ao invés de carro, a organização optou por utilizar um triciclo equipado com caixas de som, monitor de karaokê e energia solar, opção para evitar a emissão de gás carbônico na atmosfera durante o cortejo.
Música
Além das tradicionais músicas de Carnaval, Felipe Leonardo dos Santos, integrante da organização, compôs um samba-enredo personalizado para o bloco, chamado de ‘Samba do Amor Ancestral’.
“Da borda do campo ecoou, um grito de liberdade, e a voz da esperança, com sua força tomou conta da cidade. [...] Bora lá meu povo, é hora de juntar, ocupar a rua, viva a adega e o direito de amar”, diz parte da letra do samba-enredo.
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