Audiência Secretária de Saúde ainda afirma estudar junto ao governo Tite se unidade, inaugurada em dezembro, vai atender alta complexidade
FOTO: Denis Maciel/DGABC

A secretária de Saúde de São Caetano, Marisa Catalão, afirmou que o Pronto Cardio, inaugurado em dezembro, não terá atendimento 24h por dia, como previsto no escopo inicial do projeto. Além disso, a titular da Pasta garantiu que a unidade cardiológica entregue nos últimos dias da gestão do então prefeito José Auricchio Júnior (PSD), e que segue de portas fechadas por problemas na execução da obra, terá nova destinação.
Em audiência pública Marisa Catalão disse não saber se a unidade de referência poderá atender alta, média e baixa complexidade. “Estamos estudando, junto ao governo do prefeito Tite Campanella (PL), os serviços que serão oferecidos”, declarou a secretária.
Sem a cabine primária instalada, de responsabilidade da Enel, Marisa Catalão preferiu não dar prazo para abrir a unidade, entretanto, lembrou que a concessionária de energia elétrica deu prazo de até 150 dias para executar o serviço. O prazo passou a ser contado no dia 5 de janeiro, quando a Prefeitura fez a solicitação junto à empresa.
As informações foram apresentadas na noite da última quinta-feira (27), durante a Audiência Pública da Saúde na Câmara. A agenda de cerca de 2h30, teve bate-boca entre vereadores e questionamentos sobre os recursos aplicados na construção do Pronto Cardio, anexo ao Centro Hospitalar da cidade.
Os questionamentos de opositores à gestão Auricchio tiveram como base relatório do próprio governo que aponta a inviabilidade do equipamento implementado ao custo de R$ 12 milhões.
Reportagem publicada pelo Diário no último dia 16, com base no relatório de diagnóstico técnico do Pronto Cardio, detalhou série de irregularidades na execução do projeto. O documento trouxe pontos que demonstram a relação entre custo e benefício e não recomenda a abertura do hospital. São Caetano oneraria os cofres públicos em R$ 42 milhões anuais em atendimentos de alta complexidade para as áreas cardiológica e neurológica sem que haja demanda reprimida na cidade.
Bruna Biondi (Psol), vereadora da oposição questionou a secretária sobre a demanda e apontou que os “pacientes são atendidos por outras unidades fora da cidade”. Os atendimentos de alta complexidade cardiológica atualmente são recepcionados pelos hospitais Mário Covas, Pirajussara, Incor (Instituto do Coração), Dante Pazzanese e Santa Marcelina.
Do ponto de vista financeiro, a investigação coloca sob suspeita a utilização de R$ 5,1 milhões enviados via emenda pelo deputado estadual Thiago Auricchio (PL) e de R$ 5,2 milhões financiados pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano), uma autarquia. “O que aconteceu com o Pronto Cardio? Onde foi parar nossos recursos diante de tantas irregularidades?”, questionou Bruna.
Marisa Catalão lembrou que a obra não foi executada em sua gestão, mas que o governo e a Secretaria não estão medindo esforços para dar uma resposta à sociedade e apresentar uma solução definitiva para o Pronto Cardio.
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