Risco Foram 23 óbitos, alta de 80% em relação ao mesmo mês de 2024, com 13 casos
FOTO: André Henriques/DGABC

A região registrou em janeiro deste ano o maior número de mortes no trânsito para o mês desde 2019. Foram 23 vítimas fatais, contra 13 no mesmo período de 2024, um crescimento de 80%. O levantamento foi feito pelo Diário com base em dados do InfoSiga, sistema de monitoramento do governo estadual gerenciado pelo Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo).
Total igualou marca do mesmo período de 2018. Já o número de acidentes, fatais e não fatais, no último mês foi menor na comparação anual, o que revela maior taxa de mortalidade – foram 455 acidentes, contra 504 no mesmo intervalo do ano passado.
A cidade que contabilizou a maior quantidade de mortes foi São Bernardo (14), seguida por Santo André (quatro), Mauá (três), Ribeirão Pires (um) e Diadema (um). São Caetano e Rio Grande da Serra não computaram óbitos. Motociclistas (11) e pedestres vítimas de atropelamentos (oito) predominaram nas estatísticas. Do total de mortos, 15 eram homens e oito, mulheres. A maior parte deles tinha entre 25 e 59 anos (17).
Em relação ao total de acidentes, fatais e não fatais, no Grande ABC, a predominância foi de colisões (302), seguidas por atropelamento (47) e choques (34). Outros motivos não identificados contabilizaram 72.
O advogado especialista em trânsito e ex-policial rodoviário André Gomes Bertucci acredita que, com a correria do dia a dia, os motoristas estão cada vez mais estressados, conduzindo de forma imprudente e em alta velocidade. Além dessas situações exigirem maior atenção ao volante, segundo ele, os condutores têm aumentado o hábito de utilizar o celular, o que diminui o tempo de reação.
Para Bertucci, o caminho para reduzir tais números é ter um processo de habilitação mais rígido e aumentar a quantidade de campanhas preventivas. “O sistema de habilitação é muito fraco, precisaria ser mais abrangente. Um jovem de 18 anos em três meses de autoescola não tem tempo de assimilar o suficiente para estar pronto para ir à rua”, avalia. “Os brasileiros têm dificuldade de aprender e seguir regras, quanto mais cedo for feita uma educação para o trânsito segundo o código, melhor. Tem que começar na pré-escola”, complementa.
As multas não fazem um papel educativo, na opinião do advogado. O correto, de acordo com ele, é a maior parte das punições ocorrer pelo agente de trânsito ou policial. De acordo com o Código Brasileiro de Trânsito – lei nº 9503/97 – artigo 280, parágrafo terceiro, a autuação deve ser feita pessoalmente pelo agente, para que ele possa explicar ao motorista de forma educativa o motivo da multa. Somente quando não for possível o flagrante é que a anotação da placa sem abordagem é indicada.
“A fiscalização eletrônica deveria, conforme o código. No sistema atual, a pessoa recebe a multa dois meses depois e nem lembra o ato que cometeu, não havendo um processo educativo que resultará em mudanças no comportamento”, afirma ele.

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