Editorial Depois de seis dias tendo de improvisar equipamentos e recursos humanos do município para garantir o abastecimento hídrico em unidades escolares e de saúde em São Bernardo, o prefeito Marcelo Lima (Podemos) anunciou ontem que vai exigir que a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), recentemente privatizada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ressarça o prejuízo causado ao erário. Está correto, já que precisou assumir um compromisso financeiro que não teria caso a empresa cumprisse adequadamente o seu papel, para o qual, diga-se, é extremamente bem remunerada – como qualquer cidadão pode comprovar quando a conta chega.
Fazia algum tempo que não se ouvia falar de problema desta magnitude nas sete cidades. Exigir da Sabesp a devida restituição de valores ao erário é fundamental para garantir que a concessão privada não resulte na transferência indevida de encargos ao setor público. Embora a companhia afirme que o desabastecimento foi solucionado, manter mobilizado o comitê de crise hídrica serve como canal de monitoramento e cobrança. A iniciativa também pressiona a empresa a investir em soluções estruturais que assegure a água na torneira do consumidor – em todas as épocas do ano, mas principalmente em meio à onda de calor acentuado que, nesta semana, atingiu 35ºC no Grande ABC.
A acertada privatização da Sabesp implica mudança na relação entre empresa e cidadãos, o que reforça a importância da fiscalização rigorosa por parte dos municípios. Caso outras prefeituras afetadas pelo problema sigam o exemplo de São Bernardo, será possível estabelecer um padrão de exigência que obrigue a companhia a aperfeiçoar seu atendimento e planejamento. A prestação de serviços essenciais exige controle firme para evitar falhas que prejudiquem a população. O setor público, ao obrigar que a Sabesp arque com suas responsabilidades, age no interesse da coletividade. Se a distribuição de água é um direito básico, qualquer descontinuidade requer ação imediata. Foi o que fez Marcelo Lima.
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