Editorial A declaração do ex-prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (sem partido), sobre a ausência de dívidas deixadas ao sucessor, Marcelo Lima (Podemos), não se sustenta diante dos fatos. Dois meses após a afirmação do antecessor, em entrevista ao Diário, o novo governo são-bernardense já identificou passivo de R$ 274 milhões herdados da administração anterior, comprometendo o planejamento financeiro do município. O impacto do descontrole nas contas públicas derrubou a credibilidade fiscal da cidade e criou percalços para a atual gestão, que encontra dificuldades para obtenção de crédito. Ante tantos boletos vencidos, é de se perguntar aonde foram parar os R$ 277,7 milhões arrecadados pela Prefeitura com a venda de inúmeros imóveis públicos nos últimos anos.
O governo Marcelo Lima confirmou que contas referentes a novembro e dezembro de 2024 ainda estavam em aberto, o que contradiz a afirmação de Morando de que todas as obrigações que venciam até 31 de dezembro haviam sido quitadas antes da transição de governo. O desarranjo fiscal de São Bernardo está exposto no índice Capag, mecanismo que mostra se um novo endividamento representa risco de crédito para o Tesouro Nacional. No último quadrimestre do governo Morando, considerando a relação entre a disponibilidade de caixa e as obrigações financeiras, a capacidade de pagamento do município caiu de B para C, indicativo da falta de equilíbrio nas finanças. A queda no rating impossibilita São Bernardo de obter garantias da União para novos financiamentos.
Quais foram as razões das inadvertências ocorridas a partir de setembro, quando o então prefeito deu início à campanha – frustrada – para fazer da sobrinha Flávia Morando a sua sucessora no Paço? Deve ter ocorrido algo muito agudo, dada a incapacidade de o rombo ser fechado com o milionário programa de desestatização de imóveis públicos tocado pela administração Morando. A receita de R$ 277,7 milhões não impediu que dívidas fossem roladas para a gestão seguinte. Marcelo Lima precisa de desdobrar para que o passivo herdado do antecessor – um tanto divergente do que pode ser classificado com o adjetivo de bendito – não comprometa o início de seu governo, que é a esperança para os são-bernardenses que optaram por mudar o comando da cidade no último pleito.
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