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Pejotização no Grande ABC

Luciana Codeço
19/02/2025 | 10:47
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A Reforma Trabalhista trouxe mudanças significativas para as relações de trabalho no Brasil, incluindo a regulamentação da terceirização e maior segurança jurídica para contratações no modelo de PJ (Pessoa Jurídica). No entanto, a contratação inadequada pode levar ao reconhecimento do vínculo empregatício e à imposição de penalidades para as empresas presentes no Grande ABC e em todo o País.

A contratação PJ ocorre quando uma empresa firma contrato com um prestador de serviços que atua como empresa, e não como empregado no regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Esse modelo pode ser vantajoso tanto para empresas quanto para profissionais, proporcionando redução de encargos, maior flexibilidade e autonomia. No entanto, é fundamental utilizá-lo corretamente para evitar fraudes trabalhistas. Mesmo com a flexibilização trazida pela Reforma Trabalhista, a Justiça do Trabalho continua analisando casos de pejotização irregular e, se forem identificados elementos típicos de relação de emprego, como subordinação, jornada fixa e exclusividade, a empresa pode ser condenada ao pagamento de direitos trabalhistas e indenizações. 

Optar pelo modelo PJ pode trazer benefícios, como menor burocracia para empresas e maior controle sobre a própria rotina por parte dos profissionais, que podem atender múltiplos clientes e negociar valores diretamente. Entretanto, há riscos significativos, especialmente quando a contratação é utilizada de forma indevida para mascarar relações empregatícias, gerando passivos trabalhistas que podem comprometer financeiramente a empresa. 

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Para evitar riscos, a empresa deve elaborar um contrato claro, estabelecendo a prestação de serviços, prazos, forma de pagamento e garantindo a autonomia do prestador. Além disso, é essencial que não haja exigências típicas de vínculo empregatício, como cumprimento de horários rígidos ou obrigação de exclusividade. O prestador deve possuir CNPJ ativo, emitir notas fiscais e ter liberdade para definir sua rotina e estratégias de trabalho, garantindo que a relação seja legítima e transparente. 

Setores como tecnologia, consultoria e marketing utilizam amplamente a contratação PJ com segurança, pois suas atividades permitem autonomia e flexibilidade. Contudo, casos recentes mostram os riscos da pejotização irregular, como a condenação do iFood pela 14ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, que reconheceu vínculo empregatício de entregadores e impôs uma indenização milionária. Esse exemplo demonstra a necessidade de atenção ao formato de contratação para evitar consequências legais. 

Portanto, a contratação PJ pode ser uma solução vantajosa desde que feita corretamente. Para evitar problemas trabalhistas, é essencial que o prestador tenha real autonomia e que o contrato esteja bem estruturado. Além disso, a empresa deve avaliar periodicamente a conformidade da relação contratual com as normas vigentes, minimizando riscos e garantindo segurança jurídica para ambas as partes. 


Luciana Codeço é advogada trabalhista.




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