Memória Três jornalistas – Fernando Ferreira, Maria Helena Domingues e Solange Espírito Santo – e um historiador – John French – concluem uma mesa-redonda preocupados com o rumo das comunicações e da memória

No final do encontro realizado na TV do Diário do Grande ABC, French declarou: “Para a História não há heróis nem violões, e todos podem e devem ser ouvidos”.
Solange, Helena e Fernando, numa clara preocupação com a preservação da memória, discorrem sobre a preservação das informações escritas e imagens fotográficas na era do digital.
OUVIR A TODOS
Cada pessoa tem histórias para contar. Seria excelente uma mesa-redonda com dirigentes das fábricas, pessoas que lidaram do outro lado com os acontecimentos que envolveram os metalúrgicos.
Todos têm o seu interesse. Importante saber como resolveram os seus conflitos. Que todos escrevam a sua parte da História. Quem participa deixa algo para seus filhos e netos.
Tenho 70 anos. Aqui (no Grande ABC) cheguei com 27. Muitos que conheci estão bem velhinhos. Depois da greve de 1980, milhares de pessoas perderam seus empregos. Encontrei muitos ex-operários que têm ódio de tudo aquilo. Eles acham que suas vidas pioraram com a participação nas greves. E eles também têm uma história para contar. E mesmo as pessoas que foram “fura-greves” precisam ser ouvidas.
Fica o convite para que todos escrevam a história de suas famílias.
John French
OUTROS TEMPOS
Houve uma grande mudança na sociedade (desde os acontecimentos do Grande ABC nos anos 80 e 90). O próprio jornalismo evoluiu. Hoje você não precisa de diploma para ser jornalista. Qualquer um pode ser.
De uns tempos pra cá o cara escreve, fotografa, fala em frente às câmeras, faz o áudio do rádio. E a gente vê predominando as ‘fake news’, que estão ganhando de goleada.
Com o advento das redes sociais, democratizou-se a comunicação - a única coisa legal. De resto...
O desafio: como se combate a superficialidade social que a gente está vivendo?
Solange Espírito Santo
IMAGENS
A preservação da fotografia envolve a questão da memória. Temos negativos fotográficos de 40 anos atrás. Tenho fotos em papel de 150 anos. Hoje prevalece o digital. Para onde irão essas imagens?
Estão na nuvem, dizem. Será que estão nas nuvens mesmo? E a inteligência artificial, com ela vão se evadindo mais ainda as imagens reais captadas. E as ‘fake news’, vão continuar?
Legal que temos focos de resistência ainda. Pessoal muito bom que vem tentando resgatar o jornalismo lá de trás. Isso é muito importante.
Fernando Ferreira
CURVA DESCENDENTE
Lembro que os metalúrgicos eram contrários à robotização, à tecnologia, o sindicato era contra. E hoje os robôs estão aí e está todo mundo adaptado. Foi bom, ruim? Não sei.
Houve a horizontalidade em detrimento da qualidade. Qualquer um é comunicador hoje.
O jornalismo, de um modo geral, está péssimo. E para quem como eu sempre trabalhou com o português correto, fica escandalizado. Você lê sites de notícias com erros gravíssimos, tanto de informação como ortográficos. Não se tem mais cuidado com nada.
Helena Domingues
OTIMISMO
A História me deu sempre alento. As coisas vão e vêm. É muito difícil saber o que vai acontecer. Haverá sempre mudanças ruins e mudanças que são surpreendentes. No meu ponto de vista, ser otimista é sempre melhor.
John French
NO AR
Esta série da TV-Dgabc, a primeira da História da Memória aqui no jornal, tem cinco partes. Todas estão no site www.dgabc.com.br e demais plataformas do Diário.
A discussão está posta.
John French tem sistematizado informações e imagens a partir do Banco de Dados do Diário. Está também interessado em ouvir pessoas, de qualquer posição, política ou não. Nós também. Que venham novos debates, novas séries. A Memória ganhará com elas. Crédito das fotos 1, 2, 3 e 4 – Fernando Ferreira JAN AND JOHN. E imagens das grandes concentrações operárias em São Bernardo, o show na Vera Cruz em 1979, a assembleia na Vila Euclides com as bandeirinhas do Brasil. O estádio nem se chamava Primeiro de Maio. Não se falava em desindustrialização. Como registrar e pensar tudo isso quase 50 anos depois? O acervo do Diário do Grande ABC, inigualável, é um ótimo começo... DIÁRIO HÁ 30 ANOS Quinta-feira, 16 de fevereiro de 1995 – Edição 8938 MANCHETE – Dersa propõe pedágio de até R$ 0,90. Governo pretendia instalar quatro cabines em cada alça de acesso da Rodovia dos Imigrantes. A região era contra. E resistia. POLÍTICA % TRABALHO – No primeiro dia de trabalho do novo Congresso, os deputados do Grande ABC se uniam pela aposentadoria por tempo de serviço. EM 16 DE FEVEREIRO DE... 1867 - Inaugurada a estrada de ferro São Paulo Railway, de interligação de Santos a Jundiaí. No Grande ABC são entregues três estações: Alto da Serra (Paranapiacaba), Rio Grande (Rio Grande da Serra) e São Bernardo (Santo André). 1875 - Inaugurada a Escola Normal de São Paulo. 1880 - Um desmoronamento no primeiro plano inclinado da serra suspende o tráfego de trens. Chove muito. 1905 – Roma, 17 – A greve dos padeiros desta capital generalizou-se. Soldados trabalham nas padarias. Os proprietários resolveram fazer lock-out. 1950 - Lei municipal número 541 oficializava o Hino de Santo André, com letra do professor José Amaral Wagner e música do professor Luiz Carlos da Fonseca e Castro. 1955 – Iria ter Carnaval no Ibirapuera, o primeiro da história, com batalhas de confete, desfile de cordões e escolas de samba, bailes públicos e o concurso “bebedouros de cerveja” Espaço para a história do Carnaval, com a música “Script”, de João Penna Malhado. Entre os cordões, dois que se transformariam em escolas de samba: Vai-Vai e Camisa Verde.
HOJE Dia do Repórter 6º domingo do tempo comum 16 de fevereiro Felizes os famintos de hoje, porque sereis saciados. Lucas, capítulo 6, versículos 20 e 21

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