Sem resposta Vereadores votam hoje convocação de Karla Maciel Dolabella para que ela dê explicação sobre problemas no serviço de transposição da Billings
FOTO: Reprodução/Instagram

A Câmara de São Bernardo vota hoje convocação de Karla Maciel Dolabella, diretora-presidente da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), para que ela responda dúvidas sobre os problemas no serviço de travessia aquática entre o Riacho Grande e o bairro Tatetos, por meio da Balsa João Basso.
A executiva da empresa, privatizada em abril de 2024 pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), trocou a embarcação, reduzindo a capacidade de transporte pela metade, além de demitir funcionários. A mudança afetou, principalmente, os moradores do Pós-Balsa, conforme mostrado em reportagens pelo Diário.
Diante das reclamações de usuários sobre a precarização do serviço, o vereador Netinho Rodrigues (Podemos) protocolou ontem pedido de convocação da representante da empresa, fiscalizada pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo). Ele quer que a presidente compareça ao Legislativo para ser sabatinada e explicar pontos obscuros referentes à operação da balsa. “Queremos saber quem financia o sistema, quem paga as contas e quem gerencia o serviço. Queremos saber também o motivo das demissões”, afirmou o legislador da base do prefeito Marcelo Lima (Podemos).
Segundo o parlamentar, a Emae demitiu 12 funcionários e hoje a operação 24 horas da balsa conta com apenas quatro colaboradores, em turnos de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso.
O requerimento de convocação de Karla Maciel, segundo Rodrigues, deve ser votado em regime de urgência na sessão de hoje, mesmo dia em que a Emae prometeu retornar com a antiga balsa, com maior capacidade e reformada.
A convocação da executiva corre em paralelo a pedido de instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), em tramitação na Câmara. “Queremos apurar todos esses fatos, para que sejam corrigidos esses problemas e a população não sofra tanto”, disse o vereador.
Em média, 161 mil passageiros e 158 mil veículos por mês utilizam a balsa para a travessia. Com a substituição da embarcação, a capacidade de transporte de cada viagem caiu de 40 veículos e 400 pessoas para 18 e 200, respectivamente. Entre embarque, travessia e desembarque, a movimentação durava cerca de 15 minutos. Após a troca, o tempo passou a ser de quase três horas.
Em nota, a Emae explicou que “realizou a manutenção obrigatória da balsa em cumprimento a uma determinação da Marinha do Brasil e Capitania dos Portos”. “Esse é um procedimento previsto para ocorrer a cada cinco anos.”
Segundo a empresa, a balsa com maior capacidade volta a operar hoje “quase três meses antes do prazo inicial”. O tempo de travessia, de acordo com Emae, é de quatro minutos e que a operação de filas externas não é de responsabilidade.
Ainda de acordo com a nota enviada ao Diário, a empresa garante que o custeio da operação é de sua responsabilidade, ao explicar a fonte de recursos para manter o serviço. Em relação ao número de profissionais em atuação, a Emae garantiu que 22 colaboradores se dividem para garantir o atendimento por 24 horas.
Por fim, a Emae garantiu que “não foi notificada” sobre a movimentação da Câmara de São Bernardo. Karla Maciel também foi instada a se manifestar pela reportagem, mas se manteve em silêncio.
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