Invasão Movimento Olga Benário diz esperar posicionamento da Prefeitura, mas descumprimento de ordem judicial pode levar à reintegração forçada de imóvel
FOTO: Denis Maciel/DGABC

A um dia do fim do prazo determinado pela Justiça para a desocupação do imóvel invadido no bairro Cerâmica, em São Caetano, o Movimento Olga Benário trata como incógnita a saída do prédio localizado na Rua José Benedetti. Por determinação do Poder Judiciário, a data-limite se encerra nesta quarta-feira (12), às 18h.
Questionada sobre a ação que será tomada pelo grupo, Eloisa Bonifácio, 20, uma das coordenadoras da invasão, disse aguardar um parecer da Prefeitura de São Caetano. “Nós queremos que a Prefeitura se responsabilize, queremos um posicionamento do prefeito. Isso definirá a posição da nossa ocupação.”
A coordenadora se refere à pauta reivindicada pelo grupo em relação à insuficiência de políticas públicas de amparo às mulheres vítimas de violência. A intenção deles seria transformar o imóvel em uma casa de acolhimento. A proposta prevê a criação de uma creche e uma cozinha comunitária no local.
“Caso isso não aconteça (posicionamento da Prefeitura), continuaremos fazendo nosso serviço e lutando pela melhoria da condição de vida das mulheres e das crianças", conclui Eloisa.
No dia 21 de janeiro, o Tribunal de Justiça de São Paulo, por meio da 4ª Vara Cível da Comarca de São Caetano, deferiu uma liminar para reintegração de posse do imóvel. A decisão, assinada pelo juiz José Francisco Matos, foi baseada em documentos que comprovam a propriedade do local e nos critérios do Código de Processo Civil, uma vez que a invasão ocorreu há menos de um ano. Caso o grupo não cumpra a ordem de desocupação, a força policial poderá ser utilizada.
INVASÃO E PROTESTOS
Invadido em 21 de novembro do ano passado, o imóvel está pichado e grafitado em sua fachada e na área interna. O grupo também é suspeito de ter vandalizado um carro estacionado no subsolo do prédio, que também pertence ao proprietário da área.
A informação foi transmitida por vizinhos aos vereadores Fábio Soares (PSD), César Oliva (PSD) e Gilberto Costa (Progressistas), presidente, relator e membro, respectivamente, da recém-criada Comissão Parlamentar que contribui com a apuração das circunstâncias da invasão e faz a interlocução com o órgãos fiscalizadores e outras entidades públicas, em busca de solução definitiva para a questão.
No último dia 5, manifestantes saíram às ruas com destino à Prefeitura de São Caetano exibindo uma faixa que protestava contra a reintegração de posse. Durante o trajeto, foram entregues panfletos aos populares.
Os invasores argumentaram que são vítimas de violência estrutural e defendem políticas de proteção a mulheres e crianças.
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