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Os bobos das cortes

Marli Gonçalves
10/02/2025 | 09:43
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 O mundo caindo, e por aqui os bobos das cortes nacionais parecem não se dar conta da gravidade do momento e em inúmeros assuntos tanto no cenário interno como internacional. Resolveram brincar de guerrinhas de bonés.

Qual é a graça? Dia de eleição no Congresso Nacional, dos presidentes e mesas diretoras tanto do Senado como da Câmara. Nomes, agora definidos como Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), respectivamente, que comandarão as agendas ao bel-prazer. No dia, uns apareceram com bonés, nas versões em amarelo e azul, com o óbvio dizer “O Brasil é dos Brasileiros” (ainda bem!!!); outros, de oposição do momento, digamos assim, chegam com o amarelinho na cabeça de quem quer o inelegível de volta “Comida barata novamente. Bolsonaro 2026”. Depois um esquecido ex-ministro encrenqueiro, Ciro Gomes, aparece com boné amarelo e mal pontuado “Vão trabalhar vagabundos.”. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tinha feito graça quando Trump tomou posse, e apareceu, posando com o boné “Make America Great Again” (Torne a América grande novamente), vermelho, mas vermelho Donald Trump, que fique bem claro.

Dá até preguiça enumerar os problemas que nos afetam, incluindo as influências das emergências climáticas, gente e coisas boiando em enchentes, casas e vidas desmoronando, preços massacrantes, cada vez mais miseráveis nas ruas, violência desmedida, alguns. Fora os acordes tenebrosos que chegam lá de fora. Eles usam bonés.

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Se é isso a tal melhoria de comunicação do governo, cantada em prosa e versos sidônicos, estamos bem perdidos. Mais ainda quando o próprio presidente aparece com o tal bonezinho, e declara em alto e bom som coisas como: se os alimentos estão caros, não compre.

Não, não vou deixar de fora da bronca o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, que essa semana lançou uma linha oficial de lenços e gravatas com o símbolo da Corte para presentear autoridades em visitas institucionais ao Tribunal. “Ficou muito bonitinho”, disse. Pouco antes tinha reclamado da injustiça das críticas sobre os gastos do Judiciário.

Tá todo mundo doido? Lembrei do histórico ex-deputado Tenório Cavalcanti, o violento “Homem da Capa Preta”, que a usava e onde escondia a Lurdinha, sua metralhadora de estimação. Lembrei ainda de uns chinelos de couro e chapéus moda no meio político.

Chego a sentir falta das camisetas, dos bottons, flâmulas. Do marketing político. Estou apavorada com o que mais pode vir dessas novas modas. Já pensaram? A careca do Xandão, todo mundo rapando. A cabeleira do Zezé/Trump? Ou do Milei, talvez? Perucas... As orelhas do Netanyahu. As barrigas de uns e outros. Se a gente pensar, vai longe. Melhor não dar ideia.

Marli Gonçalves é jornalista, consultora de comunicação, editora do site Chumbo Gordo e autora de Feminismo no Cotidiano, da Editora Contexto.




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