Risco ao meio ambiente Ao ano, 240 toneladas de lixo em SP provocaram mais de 1 mil acidentes em rodovias; Sindicato dos Cegonheiros protesta
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC/Banco de Dados

O descarte irregular de lixo nas rodovias tem se tornado um problema alarmante e recorrente. Somente em 2024, mais de 240 toneladas de resíduos foram recolhidas às margens das estradas paulistas, segundo a ARTESP (Agência de Transporte do Estado de São Paulo). Os materiais descartados por motoristas e moradores incluem papelão, plástico, latas de alumínio, móveis velhos, restos de pneus e entulho da construção civil, além de embalagens plásticas de alimentos e bebidas.
Esse descarte inadequado representa riscos ao tráfego e à saúde pública, prejudicando também o escoamento da água da chuva e provocando alagamentos. Dados do Centro de Controle de Informações da ARTESP indicam que, em 2024, mais de mil acidentes foram causados por objetos nas rodovias, além de outros 97 incidentes relacionados a itens lançados por terceiros.
Outro fator preocupante é que o lixo abandonado nas estradas atrai animais em busca de alimento, o que aumenta o risco de colisões. O entupimento de galerias pluviais e sistemas de drenagem também resulta em danos à infraestrutura rodoviária e coloca em perigo os usuários das estradas. Durante a estiagem, bitucas de cigarro jogadas pelos veículos podem iniciar incêndios, agravando ainda mais o problema ambiental.
O Código Brasileiro de Trânsito prevê multa de R$ 130,16 e quatro pontos na carteira para quem for flagrado descartando lixo nas rodovias. No entanto, a fiscalização ainda enfrenta desafios para coibir essa prática.
A situação preocupa os profissionais do setor de transporte. José Ronaldo Marques da Silva, conhecido como Boizinho, presidente do Sinaceg (Sindicato Nacional dos Cegonheiros), critica a realidade das rodovias: “As estradas deveriam servir como vias de acesso seguras e convenientes, mas infelizmente têm sido transformadas em verdadeiros depósitos de lixo”.
Para combater o problema, as concessionárias têm investido em ações educativas e preventivas, como campanhas de conscientização, distribuição de materiais informativos e mensagens nos painéis eletrônicos das rodovias. Além disso, as equipes de limpeza realizam coletas diárias dos resíduos, que são encaminhados para aterros sanitários, usinas de reciclagem ou programas de reutilização, conforme as exigências do Programa de Concessões Rodoviárias.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305/2010) e a resolução nº 307/2002 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) determinam que as empresas elaborem um Plano de Gerenciamento de Resíduos, reforçando a necessidade de um compromisso coletivo para minimizar os impactos ambientais e garantir rodovias mais seguras e limpas.
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