Setecidades Titulo 'Nunca vai ser o suficiente'

Mãe de enfermeira morta em São Bernardo lamenta pena de assassino

Julgamento foi concluído na madrugada da última sexta-feira (31) no Fórum da cidade

03/02/2025 | 17:25
Compartilhar notícia
FOTO: Denis Maciel
FOTO: Denis Maciel Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


“Para a nossa família, nunca vai ser o suficiente”. A fala é de Rita de Cássia Pereira Sampaio, 64 anos, mãe da enfermeira Vanessa de Cássia Fontes, assassinada em setembro de 2023, compartilhada com o Diário durante relato sobre sua dor após a condenação do ex-marido, Bruno de Matos, a 19 anos de prisão pelo feminicídio de sua filha. O julgamento foi concluído na madrugada da última sexta-feira (31) no Fórum de São Bernardo, e a sentença gerou sentimentos mistos na família.

Em entrevista, Rita de Cássia relatou o sofrimento intenso desde o momento em que recebeu a notícia do desaparecimento da filha até o julgamento do acusado. Ela estava em Pernambuco quando soube que sua filha havia desaparecido, e logo depois ficou sabendo que Bruno de Matos havia confessado o crime. "Eu perdi o chão", disse Rita, relembrando aquele momento angustiante. "Fiquei sabendo por meio de uma ligação, e só consegui retornar para São Paulo no dia seguinte. Foi uma dor terrível."

A mãe de Vanessa destacou que a condenação, embora importante, não traz satisfação completa, já que "nada vai trazer minha filha de volta". Para Rita, a pena de 19 anos de prisão para Bruno de Matos é inferior ao valor da vida de Vanessa, e a família esperava uma condenação mais severa.

DGABC

“Quando se perde um filho, não existe nem nome para essa dor. Só quem passa por isso entende. Eu sofri muito com a perda da minha mãe e do meu pai, mas a dor de perder um filho não tem descrição. Para mim, é como se uma parte de mim tivesse ido com ela. Só estou em pé hoje por causa do meu neto (na época com cinco anos), porque alguém tem que cuidar dele”, afirmou a mãe. “Creio que, para ela, a melhor pessoa para isso fosse eu mesma”, avalia.

Rita também revelou detalhes sobre a relação conturbada de sua filha com o ex-marido. De acordo com ela, as discussões entre o casal não eram motivadas por visitas, como foi divulgado na época do crime, mas sim pela falta de comprometimento de Bruno com as responsabilidades paternas. "Ele só queria direitos, mas deveres, não queria saber", explicou Rita. "Ela sempre pedia para ele ajudar com o filho, mas ele nunca ajudava”. Ela cita como exemplo pedidos da mãe pela compra de medicamentos e pagamento de escola, ambos rejeitados pelo acusado.

A mãe de Vanessa contou ainda que a situação se agravou quando a esposa atual de Bruno agrediu a vítima, o que resultou em uma medida protetiva que impedia o pai de levar o filho para sua casa. "Ela disse para ele que não se importava de ele ver o filho, mas não poderia levar para sua casa devido à medida protetiva. Ele simplesmente desapareceu por 10 meses", disse Rita. O assassinato ocorreu logo após uma série de discussões relacionadas a questões como pensão alimentícia e viagens feitas pelo pai da criança.

Rita se mostrou convicta de que o crime foi premeditado. Segundo o advogado da família, Renê Vilaça, as provas apontam que Bruno passou horas rondando o local do crime antes de atacar Vanessa. "Ele ficou duas horas e cinco minutos à espreita. Quando ele finalmente a encontrou, foi rápido: ela foi estrangulada com as duas mãos em apenas três minutos, sem chance de defesa", revelou.

O CRIME 

A vítima trabalhava no Hospital São Luiz, em São Caetano. Foram os colegas de Vanessa que acionaram a polícia para relatar o desaparecimento na época, após a vítima não aparecer para trabalhar. O veículo de Vanessa, um Hyundai HB20 preto, também havia desaparecido. Segundo informações da Polícia Civil de São Bernardo, Bruno de Matos, ex-companheiro da enfermeira e pai do filho da vítima, foi detido e na ocasião confessou o assassinato por asfixiamento.

Com o auxílio dele, agentes encontraram o corpo da enfermeira, bem como o carro usado por ela, próximo ao Parque Pedroso, em Santo André. O Diário buscou contato com a defesa de Bruno, mas não a localizou.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;