Em alerta Prefeitura de Diadema afirma realizar mensalmente 140 sepultamentos na necrópole, atualmente com 62 gavetas; destas, 20 adultas disponíveis
Para evitar que cemitério esgote sua capacidade de sepultamento, atual gestão inicia obras (FOTO: Denis Maciel 17/1/25)

Abandonado na gestão do ex-prefeito José de Filippi Júnior (PT), conforme mostrou reportagem do Diário publicada no dia 18, o Cemitério Municipal de Diadema pode ficar sem espaço para receber novos corpos. Com apenas 62 sepulturas vazias e média de 120 óbitos mensais, a necrópole tem capacidade para, no máximo, 15 dias.
“Nossa equipe trata do assunto com prioridade para promover a reestruturação do cemitério e a reforma administrativa com o objetivo de se ter um olhar mais técnico e cuidadoso. Vamos dar total prioridade em uma ação emergencial”, anunciou o prefeito Taka Yamauchi (MDB), que atribui a responsabilidade da situação ao antecessor: “(É) um problema de gestão, de governo”.
Segundo o prefeito, para não saturar o cemitério e ver a capacidade de sepultamento zerar dentro de “um fluxo normal de quatro óbitos por dia”, algumas ações prioritárias serão iniciadas. Amanhã começa a manutenção dos columbários (gavetas para sepultamento), limpeza e zeladoria do cemitério.
Além disso, licitação para o fornecimento de caixões será aberta, com previsão de ser concluída na primeira semana de fevereiro. Também já estão em andamento os processos de compra para incineração das urnas funerárias e cremação das ossadas. Foi instaurada, ainda, sindicância para apurar possíveis desvios de conduta de servidores, excesso de horas extras, condições insalubres de trabalho, uso indevido de gratuidade para sepultamentos e má utilização do espaço.
O retorno dos funcionários em desvio de função para suas atividades de origem no cemitério já está ocorrendo.
Em outras esferas administrativas, relatório sobre a situação encontrada será produzido e encaminhado ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. O Paço também enviará ofício com pedido de ajuda ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
VISTORIA
Em uma vistoria realizada na quinta-feira (16), Taka encontrou diversas irregularidades e estado de abandono no cemitério.
Entre os problemas, foram identificados ossadas amontoadas em sacos de lixo, gavetas mortuárias danificadas e com cadáveres expostos, caixões largados no tempo e amontoados nos cantos, animais peçonhentos e forte odor ocasionado por necrochorume (líquido produzido durante a decomposição dos cadáveres) e funcionários sem equipamentos adequados.
Segundo a administração, atualmente há mais de 2.000 ossadas em sacos de lixo aguardando incineração.
Kiko Teixeira, secretário de Administração e Gestão de Pessoas, lamentou a falta de compaixão da antiga gestão. “Não cuidavam nem dos vivos, imagine dos mortos”, disse, ao se referir aos inúmeros problemas na área da Saúde.
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