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Andreense ganha prêmio por HQs que conscientizam sobre autismo

Gabriel Sorriso usa quadrinhos como renda após largar o emprego para cuidar dos filhos com TEA

23/01/2025 | 09:38
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FOTO: Arquivo Pessoal
FOTO: Arquivo Pessoal Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O melhor lançamento infantil nas histórias em quadrinhos do Brasil é de um morador de Santo André, segundo o 40º Troféu Ângelo Agostini. A premiação com outras dez categorias selecionou – de surpresa – Gabriel Sorriso, da Vila Humaitá, a partir da obra de 2023 Meu Gibizinho TEA. No livro, com a personagem Aninha (inspirada na própria filha, Ana Luiza, 10 anos), o quadrinista expõe reflexões sobre a perspectiva particular de crianças no TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Em 2023, aos 31 anos, o agora premiado autor abandonou o mercado de trabalho para se tornar cuidador da filha e do pequeno Heitor, com 5 anos na época e recém-diagnosticado com o mesmo quadro da irmã. Segundo ele, a ideia de tornar o hobbie de desenhar em profissão salvou a dinâmica da família. “Para se ter noção do grau (do espectro), até hoje a Ana não fala ou se alimenta de comidas sólidas. Pela dificuldade de desenvolvimento de ambos, a gente (junto à esposa Marcelle Saraiva, pedagoga especializada em ABA [Análise do Comportamento Aplicada, voltada para autistas] escolheu não terceirizar esta atenção”, comenta.

O andreense afirma que, pelo diagnóstico dos filhos ser único entre os parentes e ter gerado um mundo de descobertas para os pais e familiares, a ideia de conceber obras literárias sobre o assunto pareceu promissora. Tudo começou em uma coautoria do casal com o livro ilustrado Meu Mundinho TEA: A rotina de uma menina com autismo.

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Para que uma primeira edição de exemplares rodasse pela gráfica, de forma independente, foi necessário que o projeto fosse anunciado na plataforma de financiamento coletivo Catarse. No site, a obra que precedeu o premiado Meu Gibizinho TEA foi vendida em formato digital por um valor simbólico para amigos e simpatizantes com a causa. “As HQs por vezes contam com equipes grandes para produzir roteiro, desenhos e edições. Fizemos sozinhos, sem falar como foi difícil também a divulgação. Mas tudo isso foi o pontapé até para o gibi que ganhamos o prêmio. Quando o Heitor veio também, depois da Luiza, toda a bagagem que adquirimos com ela ajudou com as novas necessidades dele”, revela.

Despretensiosamente, nas tirinhas de Meu Gibizinho TEA, Sorriso expõe com leveza, após um processo criativo de um ano, momentos delicados para autistas. Foi também de forma casual que ele soube da indicação para uma das maiores celebrações dos quadrinhos no Brasil. “No grupo de WhatsApp do futebol, um amigo me deu parabéns. E pensei que ele estava maluco, até que vi no site”, conta ele, entre risadas.

O autor estima que compartilhou o link de voto na premiação popular para 500 pessoas. “Certamente passaram para outras. Quando soube da vitória, foi um misto de sensações. Chorei, tremi e ao mesmo tempo sorri”, relembra ele, com ansiedade para a entrega do troféu – ainda sem data agendada.

A pauta do espectro, de acordo com ele, deve continuar em uso. Até porque, depois do lançamento do primeiro gibi, meses depois, em 2024, nasceu Meu Gibizinho TEA 2, desta vez incluindo o membro mais novo da família, Heitor. Os planos em 2025 estão para duas obras que mesclam gêneros como quadrinhos e narrativa ilustrada: o primeiro, sobre os desafios da adolescência sendo autista; o segundo, explorando a fantasia, sobre uma turma de tripulantes diversos que precisa superar as dificuldades de comunicação para viajar por diferentes universos em uma nave espacial.

“A ideia é divulgar a causa. Considero uma missão. Até quando recebemos o diagnóstico, não havia muito material e nem eu sabia o que tudo isso (o autismo) representava. Para 2025, a expectativa ainda é grande para o Ângelo Agostini com o segundo gibizinho e aí fica a nossa torcida para que as obras seguintes impactem gerações também”, acrescenta.




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